Livro: Lobão 50 anos a mil

Recentemente li a autobiografia do Lobão. Li em apenas 3 dias, como se fosse algo que insanamente quisesse ler. Foi incrível, porque a curiosidade me empurrava em direção às histórias insólitas do Lobão, cada coisa absurda e improvável… Sem dúvida nenhuma, cheia de amor e de dor. Seria muito fácil dizer que o Lobão foi mais um louco músico que queria ser ouvido e julgado pelo que fazia, mas ele representou em sua época muito mais do que podia-se perceber. Lobão é uma artista com alma de poeta e engendrou no seu destino a música perfeita para o seu gênio de profeta (!). Impressionante como sua tragetória se fez, como os caminhos que tomou foram trilhados… Até a última página de sua autobiografia, fiquei abismado com suas histórias. A história de um menino que cresceu e se reinventou tantas vezes e se tornou o Lobão. Na verdade, Lobão é o artista que se reinventa.

Não posso dizer que sempre fui fã de Lobão, na verdade nunca fui e acho que continuo a não ser. Acho que um fã é muito mais fiel ao talento do seu artista (coisa que definitivamente não sou), mas sempre achei as músicas que conhecia dele muito interessantes. Corações Psicodélicos, A Queda, A Vida é Doce, Presidente Mauricinho, Vou Levar, Rádio Blá, Chorando no Campos e outras são músicas bastante interessantes, porque retratam suas épocas, retratam o espírito de Lobão. É claro que tratam do artista, do sentimento e da arte que está ao seu redor. E não poderia ser diferente.

Na autobiografia, Lobão se expõe por completo. Faz revelações, faz confissões (pelo menos são assim para aqueles que não o conhecem), se coloca em uma bandeja para o leitor. Não precisa querer ser fã para ler o texto, não precisa sequer gostar de Lobão (de sua música e/ou personalidade) para querer ler o texto. Basta querer entender o que é a música do nosso país, porque Lobão é bastante esclarecedor em suas explicações e nos proporciona um panorama da música brasileira desde os anos 60 até a nossa atualidade.

Com a leitura de sua autobriografia, descobri novas histórias, entendi outras e liguei outras tantas. Lobão conta o processo de criação de todos os seus discos, como foram concebidas as suas músicas. Confesso que cheguei a arrepiar quando ele ia descrevendo uma música e ao final dizia, “assim nasceu Me chama”, ou “assim nasceu A Vida é Doce”. São cenas de sua vida, situações vividas, realmente, por alguém que curtiu na pele a própria vida, se fez, refez e (re)conquistou.

Sempre gostei das idéias críticas do Lobão. Quando o vi nas duas seções do Café Filosífico (pela internet), assisti aos vídeos um sem número de vezes, não porque ele contava suas histórias, mas porque ele realmente é um filósofo, e de mão cheia! É um cara muito culto, raríssimo nos dias de hoje. Um músico em extinção, que acredita no que lê, nas obras dos grandes filósofos, poetas e escritores. Outros que sei que foram como ele são Renato Russo e Cazuza. Outro que acredito que foi assim também, dada a afinidade entre ele e Lobão, foi o Júlio Barroso. Pouco conheço sobre Júlio Barroso, mas acredito que estas pessoas estão acabando no meio artśitico. Nossa sociedade está muito mudada, muito alienada e certamente essa cultura compete com outros tipos de cultura, que a destróem e a reconstróem de uma forma anacrônica, sem identidade.

Certamente, a história de Lobão não é apenas uma história, é algo bem real e bastante comum também, mas a diferença está em sua gana, em seu instinto pouco provável de ser, em sua própria reinvenção.

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