Minuta

Uma pequena nota sobre um sonho muito comum.

Minuta

Quero que diga a ela
que estou à deriva
sem vela e sem rumo,
procurando a luz do farol
do fim do mundo.

Rumo sem direção
procurando enxergar
sinais escondidos
em algum lugar
que não consigo alcançar…

De repente, atraco em lugar algum
e rastejio sobre as ondas,
engolido pelas espumas de suas areias
deixando minhas marcas se apagarem
e destituindo minha história…

E finalmente, ao chegar,
desmaio e sonho (deliro) intensamente
sobre o que teria sido
se não houvesse esta minuta
para clarear a minha vitória (derrota).

Sinto-me perdido e não há sinais
de um futuro encontro,
apenas palmeiras aradas pelo vento
e uma fauna muito escassa,
para meu desespero…

A solidão, finada,
toma seus cuidados
e envolve-me como um cobertor:
aquece-me a alma
e devora meu rancor.

Os dias em que vivi
demonstrei indiferença
e a realidade, nua e crua,
nunca me alcançou
e assim, deixei-me levar pelos becos da vida

E sozinho percebo que
finalmente chego ao fim,
para brindar minhas venturas
aparecendo dissecado
e desaparecido para mim mesmo.

E tudo não passou de um sonho,
algo que não pudesse ser colocado
como uma minuta para minha lembrança
de um sonho deslocado
resistindo por um fio de esperança.

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