Quando eles te acham brasileiro demais

Vou usar a expressão “brasileiro demais” neste post como uma metáfora. Essa expressão não existe “oficialmente”, mas é provável que mesmo sem existir, seja uma “tautologia”. Vejamos:

No restaurante do meu trabalho, como em todo restaurante comum, tem uma banquinha com doces, amendoins, chocolates etc. Eu adoro amendoim tipo japonês (sabe aquele com casquinha crocante?) e de vez em quando compro um pacotinho pequeno para comer no meio da tarde, enquanto penso no que tenho que fazer. Não sei o porquê, esse amendoim tem um preço variável. Tem dia que ele me custa R$ 1,00 e tem dia que me custa R$ 1,50. Acho que, ou depende de uma certa inflação local, ou depende de quem está cobrando: se é a dona ou o dono. Sinceramente, prefiro que a dona cobre, porque me parece que a média de preços dela é mais constante. Muito bem, no começo desse ano, fui comprar o danado do amendoim e procurando pela validade, percebi que estava vencido. E disse:

– Moço, esse amendoim está vencido.

E ele:

– Ah, deixa eu ver…

Vendo que aquele amendoim estava vencido, logo recolheu (na verdade ele largou dentro da caixa, junto com os outro amendoins!!) e me deu outro, cobrando o preço. E percebendo que ele estava me tratando com muita brasilidade, me deu mais um vencido. E lancei:

– Moço, este também está vencido.

Para comodidade minha e da nação, o “moço” viu que estavam todos vencidos e me deu a sugestão de umas jujubas…

Bem, não preciso dizer que há uma certa diferença entre jujubas e amendoins e acabei desistindo da compra, pois naquele momento, meu paladar estava mais para amendoins.

Quando se passaram algumas semanas, fui comprar novos amendoins acreditando que haveriam amendoins fresquinhos à minha espera. Fiz todos os procedimentos normais de aproximação até notar que os amendoins que estavam ali eram exatamente os mesmos que já estavam vencidos, há semanas atrás…

Acabei desistindo novamente da compra e para meu espanto, além desse fato não ter repercurtido no restaurante (não foi por falta de propaganda), acabei percebendo que algumas pessoas te tratam com tanta brasilidade que até o que está ruim está bom.

Agora quando digo “brasilidade” como ajetivo referente à expressão “brasileiro demais”, a conotação é depreciativa porque parace que os detalhes estão muito aquém dos fatos e estes parecem se sobrepor à realidade do brasileiro: enquanto dominamos uma economia selvagem que nos permite alguma coisa, nossa falta de senso comum nos impede de sermos apenas bons brasileiros.

EDIT (10/3/2015): não dominamos mais uma economia “selvagem”, mas será que esta “brasilidade” ainda é o status quo? Espero que não, nunca mais!

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Autor: cfbastarz

craftmind.wordpress.com

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