Review: Kit SRAM Entusiasta

Recentemente terminei de montar minha bicicleta: um misto de peças novas e usadas. Um quadro Mosso usado com garfo Suntour XCM 3 novo, freios vbrake Shimano Altus usados (com sapatas novas), pedivela Shimano Acera novo e relação SRAM “Entusiasta” nova. Como o título do post diz, vou fazer um breve review desse kit SRAM “Entusiasta”. Por que? Porque acredito que as peças da SRAM ainda não sejam tão populares quanto as peças mais populares da Shinamo, por exemplo 😉 Além disso, talvez você esteja apenas curioso para conhecer este kit ou está até pensando em adquirir o produto.

O kit SRAM Entusiasta é a linha de entrada da SRAM. Isto significa dizer que são as peças mais “baratas” da sua linha de mountain bike. O kit é composto por corrente, k7 de 8 velocidade, câmbios traseiro e dianteiro e passadores estilo “rapid fire”. Sem pé de vela, sem freios e sem movimento central. Não é um kit completo, como estamos acostumados a encontrar os kits Shimano (com tudo), mas é um kit que você pode adquirir para experimentar as tecnologias da SRAM sem ter que trocar muitas peças na sua bicicleta.

Kit SRAM Entusiasta: corrente, k7 (8v), cambios dianteiro e traseiro e passadores (dianteiro e traseiro)
Kit SRAM Entusiasta: corrente, k7 (8v), cambios dianteiro e traseiro e passadores (dianteiro e traseiro)

Quando estava pesquisando pelos produtos da SRAM, encontrei o site da ProParts, que é a representante oficial da SRAM no Brasil. Vi no site o kit SRAM entusiasta e me interessei. Então comecei a pesquisar por distribuidores, troquei email com alguns e encontrei um bom distribuidor em Guaratinguetá. Fiz o pedido e em um mês as peças chegaram. Um mês – diga-se de passagem, é um tempo longo para uma compra desta, visto que compra-se direto da empresa. Mas, dificilmente você vai conseguir encontrar este kit à pronta entrega. As peças vieram em uma caixa, todas em sua embalagem original, acompanhadas por manuais de instalação. Achei bastante interessante, porque isto mostra que o kit não é OEM, como vemos com os kits fechados da Shimano. Qual a vantagem disto para o consumidor final? Não sei, talvez nenhuma 🙂

Seguindo os manuais das peças, foi bastante fácil e simples de instalar e regular. Apenas a regularem do cambio dianteiro é que me fez pensar um pouco (mais a frente, explico o porquê). Aqui não vou colocar nenhuma foto do processo de instalação, mas apenas fotos depois que as peças foram montadas e reguladas:

Depois da primeira pedalada, a primeira impressão que tive foi a relação de 24 marchas. Minha bicicleta antiga tinha 21 velocidades e embora esta diferença seja quase nada, 3 combinações de marchas a mais é uma melhoria perceptível na bicicleta. A troca das marchas é bastante suave e me pareceu bastante preciso também, em comparação ao kit alívio 1994 ao qual eu estava acostumado. Obviamente, o kit alívio não era novo e já estava bastante usado, mas considero ele ainda bastante funcional e preciso – peças mais antigas, sempre que bem cuidadas e revisadas, irão durar ainda um bom tempo! Em relação à corrente, destaco a presença do power link, o qual facilita bastante a montagem/desmontagem.

Powerlink SRAM - é bastante prático!
Powerlink SRAM – é bastante prático!

Sobre os materiais utilizados nos componentes, tenho uma crítica a fazer: são de um tipo de plástico duro, com interior de metal (não sei qual tipo, mas a especificação é “alloy”, ou seja, liga metálica). No site do fabricante não há muitas informações sobre isto, mas comparativamente ao kit Acera da Shimano (que é o kit que pode ser diretamente comparado à este kit da SRAM), tive a impressão que as peças da SRAM parecem mais frágeis. O cambio traseiro e os passadores possuem – em sua maior parte, peças em plástico. Mas posso dizer que, depois de um mês pedalando esta bicicleta, que o fato das peças parecerem ser feitas de um material inferior, em nada desabonam a sua funcionalidade e qualidade. Então, sem problemas no quesito material e construção – apesar do aspecto. Quanto à durabilidade, apenas o tempo e o cuidado que você tem com a sua bicicleta é quem dirão.

Um detalhe interessante sobre o câmbio traseiro e os passadores é a relação “1:1 actuation ratio”. Isto significa que o menor movimento que você faz na alavanca do passador de marchas, é transferido diretamente para o cambio. Isto é um fator que a maioria das pessoas não se dá conta de acontecer, mas há passadores de outras marcas que não são assim e, consequentemente, tendem a serem imprecisos e perder a regularem mais facilmente. Mas para uso recreativo – entenda, se você não liga para estes detalhes, isso não faz muita diferença.

Cambio traseiro SRAM X3: atuação 1:1, partes plásticas com alma de metal (alloy)
Cambio traseiro SRAM X3: atuação 1:1, partes plásticas com alma de metal (alloy)

Os passadores possuem uma característica que considero bastante interessante e importante também: é possível passar várias marchas de uma vez só! Então, em situações em que há uma descida e logo em seguida vem uma subida, é muito mais rápido passar de uma marcha mais pesada e alcançar as marchas mais leves. Não sei se o kit Shimano Acera atual possui esta características, mas o kit Shimano Alívio de 1994 não!

Passadores SRAM X4 (8v): partes de plástico com alma de metal (alloy), permitem passar várias marchas de uma vez
Passadores SRAM X4 (8v): partes de plástico com alma de metal (alloy), permitem passar várias marchas de uma vez

O cambio dianteiro é um componente que considero o mais chato de regular. Embora você tenha que regular apenas a altura e o ângulo em relação ao pedivela, nem sempre é simples obter uma regularem satisfatória. Isso ocorre porque dependendo da altura da abraçadeira (alta ou baixa), a altura de instalação do cambio pode ficar restrita entre as furações do suporte de caramanhola no quadro. Isso se resolve facilmente escolhendo um cambio com abraçadeira na altura correta. Infelizmente, neste kit SRAM Entusiasta, embora o cambio seja dual pull (o que é muito interessante, porque permite que o mesmo cambio seja instalado em quadros que puxam o cambio dianteiro por cima ou por baixo), ele tem abraçadeira alta! Então, a altura do cambio no meu quadro Mosso Challenger, ficou no limite com uns 3 mm de distância entre o dente do pedivela e o desviador do cambio dianteiro. Funciona? Sim, funciona, mas não é o ideal. Nesse caso, pode acontecer de ficar um pouco mais difícil de passar a corrente da coroa do meio para a coroa menor. Ainda estou estudando o que fazer em relação a isto, mas a bicicleta está 100% funcional 😉 Outro ponto interessante, é que este cambio dianteiro vem com um adaptador (de plástico, semelhante a este) na abraçadeira, permitindo que ele seja instalado em quadros com seat tube de medidas diferentes.

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Cambio dianteiro SRAM (X3?): dual pull, abraçadeira alta (opção única)
Cambio dianteiro SRAM (X3?): detalhe da abraçadeira alta no quadro Mosso Challenger
Cambio dianteiro SRAM (X3?): detalhe da abraçadeira alta no quadro Mosso Challenger

Conclusão

Se você é daqueles que não se preocupa em sujar as mãos de graxa, não tem medo de arriscar, gosta de fazer a mecânica da sua bicicleta e quer experimentar algo diferentes (ou melhor, de uma marca diferente), acho que o kit SRAM Entusiasta é uma opção interessante. A relação custo/benefício não é exatamente vantajosa dado que alguns componentes do kit são um pouco mais caros do que os componentes da Shimano. Gostei muito dos passadores, do cassete e da corrente. Os câmbios são funcionais, mas a qualidade e o visual das peças – no meu ponto de vista, poderia ser melhor.

É isso!

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Autor: cfbastarz

craftmind.wordpress.com

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