Aquarela

Já faz um tempo que não escrevo nada, então decidi abrir minha gaveta de coisas velhas e encontrei uma melodia curta que me inspirou a escrever a poesia abaixo, sob o título “Aquarela”. A melodia também chama-se “Aquarela” e ambas, melodia e poesia, se complementam. Não é uma canção, de fato, mas como escrevi ouvindo a melodia, então é interessante ter a mesma experiência. Por isso, ao ler, aperte o play do player abaixo:

Caso não consiga ouvir o arquivo, pode baixá-lo aqui.

Aquarela

Quantas coisas pequenas passaram por mim
E quantas esperei até acordar,
E passaram pelas frestas da janela
Aquelas que jamais pude esperar.

Os pensamentos que antes apenas surgiam
Agora começam a brotar,
Permanecem inalterados e quando acordo
Sou apenas aquele que iniciou, mas não o mesmo ao fim.

A aquarela permanece intacta,
Enquanto as cores se misturam ao olhar do observador.
Mas se alteram ao menor sinal de solidão,
Em meio a tantos rastros e vestígios em suas formas

A razão é um meio para este fato:
Um intróito mal acabado e não acostumado ao mundo em que vive!
E vive esperando tudo terminar,
Pois ao fim, estará acabado e pronto para o início de uma nova jornada.

E como nunca,
O sempre se torna um lugar comum:
Todos estão sob os mesmos efeitos das mesmas idéias de alívio,
e queria apenas guardá-las para o meu testemunho…

Vive o quanto puder dentro das suas possibilidades, ínfimas..
E no centro da dor é apenas a verdade que se encaminha:
Uma derrota à frente de todos, como nunca fora esperado,
Como uma ave que canta, mas não voa e não vive.

E finalmente vejo as cores que tenho:

Sinalizam novos tempos e se misturam entre si;
Ameaçam a simplicidade a as manias de quem as contempla,
E posso dizer, com segurança, que seu reflexo é atraente,
Tão atraente quanto a soberba ironia do observador.

Consolação

Consolação

Às vezes minha casca dura
me impede de ver o que há por dentro,
de enxergar o que é real
e entender o tempo.

Muitas vezes me enganei por inteiro,
por acreditar no que parecia ser bom,
ao invés de pensar e analisar
situações que não compreendo.

Às vezes sou pego de surpresa,
tentando entender os meandros do vento
que me trazem a este estado,
encostando-se a meu lado e soprando-me pensamentos.

E de repente tiro minhas mãos do bolso
e saco o que parece ser um argumento:
parecido com o cimento da calçada
em que piso e me revisto, surpreso…

As aparências pálidas de minhas mãos,
não mais revelam as minhas virtudes:
apenas apresentam os sinais e trajetórias
que me trouxeram até aqui.

E continuo:

Olho as pedras na calçada
e as associo com aos meus medos:
algumas são maiores, outras sem dimensão,
chuto-as e atinjo verdades antes escondidas… na escuridão de meus medos.

Al Anon, All Alone

Essa música foi escrita por Marco Aurélio e eu lá pelos idos de 2000 e alguma coisa, em alguma calçada lá de Guaratinguetá. Como naquela época eu e o Marco tínhamos apenas um gravador K7 paraguaio, sonhávamos que um dia nossa banda gravaria e tocaria nossas músicas. Como o tempo cessou nossa parceria (necessidades e rumos da vida), pelo menos ele conseguiu realizar esse sonho com a banda dele, a “Desplacados“:

Segue a letra:

Al Anon, All Alone

Somos um povo embriagado
Em meio ao caos e a corrupção,
Colarinho branco, zona, extorsão
O que houve com a nossa nação?

Quase todos abandonados,
Al Anon, All Alone!
Alcoólatras anônimos embriagados,
Al Anon, All Alone!
Na distância de um curto passado,
Até a vida agora é provisória!

O nosso povo é esforçado,
E veja o estado do nosso Brasil…
Nem assim a gente perde o gingado,
Longe vá, temor civil!

Quase todos recuperados,
Al Anon, All Alone!
Políticos corruptos assassinados,
Al Anon, All Alone!
Na distância de um curto passado,
Até a vida agora é provisória!

Agora o povo ressucitado,
No país reconquistado,
Qualquer um agora é presidente,
E a história começou novamente!

Quase todos abandonados,
Al Anon, All Alone!
Alcoólatras anônimos embriagados,
Al Anon, All Alone!
Na distância de um curto passado,
Até a vida agora é provisória!

Al Anon, All Alone!
Al Anon, All Alone!
Al Anon, All Alone!

Aproveito para saudar o Marco pelas suas conquistas e desejar que ele continue tento bastante sucesso neste ano novo, junto os seus novos parceiros e projetos!

O Vento

Algo que a gente não vê, mas sente. Algo que é forte e muito fluente… O vento renova as esperanças e anuncia novas mudanças. O vento traz consigo, seus argumentos.

O Vento

Gostaria que o vento soprasse em outra direção
Que levasse meus problemas,
Que nunca me dissesse não…

Gostaria de ouvir seus ruídos,
E alegrar-me com a sua chegada.
Gostaria que pudesse descançar em paz,
Depois de mais uma jornada…

Gostaria que o vento renovasse meu ar
E que fosse, ele mesmo,
minha vontade de voar

E que seja assim para sempre,
Sem temer o dia em que não puder chegar

O vento sopra na direção dos medos,
O vento sopra entre os dedos…

E sopra, sopra para longe minhas angústias e sofrimentos.

Calmaria

Calmaria

Queria que tudo findasse como um presente,
como uma alusão aos pensamentos,
envolto pelos sentimentos que me tomam a consciência.

Gostaria de poder enxergar através das minhas aparências
e ver que nada sou além de alguém que depende do amor e da presença,
Calmaria…

Eu com esta casca dura, não duraria mais que um minuto
porque não poderia viver com a dor que isso me causaria,
e sentiria o calor de meus dedos sobre minhas mãos frias.

Por que a saudade nos coloca nessa posição?
Por que os pensamentos nos apontam para as mágoas?
Por que a solidão não é passageira?

Nossos destinos não se vendem sobre nós,
porque tudo o que tocamos é alterado.
E é isso que nos define, com precisão.

Ao redor de quem sai calado, os gritos de uma vitória:
E à sua frente um passo para a solidão,
um passo para a lembrança do que saiu errado…

E como é difícil sustentar e, sem perceber,
ser acometido por tantas falhas que nunca quis imaginar
e que por fim, caíram sobre mim como uma luva.

Queria que tudo fosse uma ilusão para ornear meus pensamentos,
para homenagear minhas derrotas e poder enfim,
me enxergar em tudo o que sempre sonhei.

Distante

Essa poesia é para minha vó, minha querida vó. Esteja onde estiver, a distância será sempre pequena, porque nunca deixei de dizer que a amei e nunca deixarei de escutá-la em meu sonhos!

Distante

E o tempo fica cada vez mais distante,
cada vez mais ofegante,
cada vez mais minguante.

Sua passagem é plena e confunde a cabeça do viajante,
que deixa tudo para trás, para viver outras memórias, novos instantes.
E sua soberba ironia nos ensina cada vez mais sobre sua vitória fatigante.

O que podemos contra o tempo
sem dizer que estamos distantes,
pois de repente tudo fica cinza e as aparências marcantes…

Só queria dizer mais uma vez
o que nunca deixei de dizer,
e ouvir mais uma vez o nunca deixarei esquecer.

O que passou marcou como ferro ao fogo
e deixou suas marcas nos ensinamentos com a alma e o espírito em repouso.
Nunca me esquecerei, apesar desta distância, daquilo que pode animar:

Porque jamais será realmente distante, a certeza de que tudo se faz sonhar.

Pena

Você já sentiu isso?

Pena

A gente fica com raiva
pra depois sentir falta
e pede perdão pra tudo,
quando não tem mais volta.

E fica sem saber porque sofreu tanto
quanto tudo o que se viveu,
foi apenas um engano.
E pede, roga e se converte…

Uma esperança alheia a sentimentos,
algo tão útil quanto um arrependimento
que se apresenta com bastante sentido,
e quase nunca pertence a alguém.

O arrependimento é a semelhança,
o sentido a palavra
e a sensação é a dor.
E nada mais.

Chega de Carnaval

 

Chega de Carnaval. Amanhã é quarta-feira de cinzas e, como em qualquer outro dia do carnaval, não quero me animar. Quero pular logo pra quinta-feira, pro dia de trabalho e voltar à minha vida normal. Nunca curti carnaval – exceto nas oportunidades em que eu tinha algo realmente interessante pra fazer, como música (mesmo que de mentirinha). Nos últimos vários anos de minha vida, carnaval significa cabo-de-guerra: de um lado uma vontade de fazer o que me der na telha e, no outro lado, a vontade de não pensar em trabalho. E nessa de não pensar em trabalho, eu penso em trabalho. Que loucura. Acho tão mais legal quando eu posso pensar em trabalho e trabalhar normalmente, no meu local de trabalho, com as pessoas com quem trabalho… aí sim pra mim é um carnaval 🙂
PS.: Tirando a parte anormal deste post (não gostar de carnaval e achar que o resto do ano é um carnaval, eu acho que um feriado desses sozinho em casa não é pra gente normal, certo?!)

Minuta

Uma pequena nota sobre um sonho muito comum.

Minuta

Quero que diga a ela
que estou à deriva
sem vela e sem rumo,
procurando a luz do farol
do fim do mundo.

Rumo sem direção
procurando enxergar
sinais escondidos
em algum lugar
que não consigo alcançar…

De repente, atraco em lugar algum
e rastejio sobre as ondas,
engolido pelas espumas de suas areias
deixando minhas marcas se apagarem
e destituindo minha história…

E finalmente, ao chegar,
desmaio e sonho (deliro) intensamente
sobre o que teria sido
se não houvesse esta minuta
para clarear a minha vitória (derrota).

Sinto-me perdido e não há sinais
de um futuro encontro,
apenas palmeiras aradas pelo vento
e uma fauna muito escassa,
para meu desespero…

A solidão, finada,
toma seus cuidados
e envolve-me como um cobertor:
aquece-me a alma
e devora meu rancor.

Os dias em que vivi
demonstrei indiferença
e a realidade, nua e crua,
nunca me alcançou
e assim, deixei-me levar pelos becos da vida

E sozinho percebo que
finalmente chego ao fim,
para brindar minhas venturas
aparecendo dissecado
e desaparecido para mim mesmo.

E tudo não passou de um sonho,
algo que não pudesse ser colocado
como uma minuta para minha lembrança
de um sonho deslocado
resistindo por um fio de esperança.