Minuta

Uma pequena nota sobre um sonho muito comum.

Minuta

Quero que diga a ela
que estou à deriva
sem vela e sem rumo,
procurando a luz do farol
do fim do mundo.

Rumo sem direção
procurando enxergar
sinais escondidos
em algum lugar
que não consigo alcançar…

De repente, atraco em lugar algum
e rastejio sobre as ondas,
engolido pelas espumas de suas areias
deixando minhas marcas se apagarem
e destituindo minha história…

E finalmente, ao chegar,
desmaio e sonho (deliro) intensamente
sobre o que teria sido
se não houvesse esta minuta
para clarear a minha vitória (derrota).

Sinto-me perdido e não há sinais
de um futuro encontro,
apenas palmeiras aradas pelo vento
e uma fauna muito escassa,
para meu desespero…

A solidão, finada,
toma seus cuidados
e envolve-me como um cobertor:
aquece-me a alma
e devora meu rancor.

Os dias em que vivi
demonstrei indiferença
e a realidade, nua e crua,
nunca me alcançou
e assim, deixei-me levar pelos becos da vida

E sozinho percebo que
finalmente chego ao fim,
para brindar minhas venturas
aparecendo dissecado
e desaparecido para mim mesmo.

E tudo não passou de um sonho,
algo que não pudesse ser colocado
como uma minuta para minha lembrança
de um sonho deslocado
resistindo por um fio de esperança.

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Contornos

Os contornos são os limites entre o real e o abstrato. São tênues representantes do presente contidos numa interface bastante aparente… O que haveria entre dois contornos consequêntes? Talves apenas um leve traço borrado na parede…

Contornos

Faço desenhos na parede,
desenho meu rosto
onde escondo meus sinais.
Escondo na borda dos contornos
aquilo que não enxergo mais…

Apago, refaço, borro e desfaço:
uma simbologia aparente,
desenhada sobre a superfície
de contornos resistentes.

Não seria possível colorir
aquilo que não tem expressão,
seria apenas como forçar o giz
e lixar a ponta e torná-la aguda demais…

E rabiscado, e cortado, e borrado: desfigurado…
Apenas uma vaga lembrança de quem fui,
acompanhado de uma sorriso ocioso
e muito tímido de quem pede perdão.

Os contornos são agora apenas meras lembranças
marcadas sobre a parede,
machucada pela raiva aparente
agora lixada, acabada e diferente…

Mas sempre estará ali como lembrança:
para lembrar-me quem fui,
como fiz,
e como sou.

Sermão dos Erros

“Por que cometer erros antigos se há bastante por onde escolher?” Russel foi um dos grandes filósofos do século XX e com verdade disse esta frase… Um vaga lembrança de um lugar, a eterna vigilância e se encontrar, Diga-me a verdade e serei sempre grato por mostrar-me a felicidade, por dizer quem sou e saber onde estou…

Sermão dos Erros

O tempo passa,
e de todas as suas lições
as únicas que reconheço,
são os meus erros…

E escolho dentre vários,
porque não há direito
em sempre escolher o mesmo erro
e minhas escolhas, escondo-as no tempo!

Nunca pude dizer o que sinto,
pois este erro já cometi.
E sopro nas estranhas do vento
os meus medos, os meus erros…

Passo por sua vida como um rio,
um pensamento aguerrido em mim
e sempre causam calafrios assim…

Por suas mãos passo este sermão
sobre os erros que cometi
e começo sempre alegremente a seguir
e coloco-me sempre triste na imensidão do céu…

Peço-lhe que sempre cuide de mim,
que me diga a verdade,
pois lhe entendo e, nunca só,
quero teus passos para mim!

Viver

Viver a vida e não se importar com o futuro. O momento é agora e, na dança da vida, a música da imaginação dita o ritmo de cada passo. A verdade é uma invenção da matéria, algo que nossa mente capta e transforma em realidade.

Viver

Quando quero,
me convenço.
Apuro meus passos
e me guio em silêncio.

Convenço-me de que a verdade
é parceira da razão,
uma realidade ininterrupta,
austera e, por que não, vil…

Suponho coisas sem sentido,
coisas que apenas imagino
mas que nunca alcançarei,
sonhos a serem vividos.

A imaginação me eleva…
Encanta o meu ser,
aniquila minhas verdades
e cultiva o viver

E apenas por assim dizer,
ouço meus batimentos
e concluo, com emoção:
nada mais importa…

…apenas mais uma vez, viver!

Verdades

O que são verdades? São argumentos usados por aqueles que pensam apenas na razão? Verdades são fatos, fazem parte do imaginário ativo, do ilusório popular… simplesmente porque são absolutas, absorvidas, diminutas e passivas.

Verdades

Penso em verdades,
verdades absolutas,
relativas e insolutas:
impossíveis de dissociar.

Alienadas à razão,
são constantemente subjugadas,
jogadas às traças
e devoradas sem perdão.

Não imaginam como deve ser difícil
encontrar e acreditar
que existem,
que possuem efeito.

E com efeito,
decalcam a realidade
sem o perdão de quem as deteve
sem a compaixão de quem as originou

São convovadas
e mais nada.
São o ponto final de uma frase,
um argumento sem razão.

Outra vez, não sei…

Desta vez, ao invés de um simples poema, uma letra de música! Outra vez não sei… fala sobre sentir menosprezado e importante, fala sobre o valor de se conhecer algo muito bem e ainda sim não receber a devida importância. Outra vez, não sei… fala sobre tudo que se perde por causa do senso comum, fala sobre a vitória e a derrota. Quem sabe um dia desses apareço com uma melodia para ela? Por enquanto, aprecie a poesia ;P

Outra vez, não sei…

Eles me chamam
e me fazem perceber
que tudo o que fazem
é factual

Eles me chamam
e me fazem perceber
que tudo o que sei
é substancial

E se não fosse?
Outra vez não sei…
me perco e por onde ando
não sei quem sou

Ouço os seus passos e
no compasso do tempo
animo meus instintos
e penso em retornar,
outra vez…

Eles me chamam
e lhes ensino a conhecer
o que perderam,
e que começam a perder

Eles me ouvem
e param, reclamam derrota
saem calados, exauridos,
dissecados e sem resposta

Apoema

Apoema diz sobre o olhar profundo. Sobre enxergar através das coisas e do tempo. O tempo que se gasta para esperar respostas do tempo, uma verdade, uma ilusão. São alusões ao pensamento, um apoema virtuoso aos olhos de quem sabe esperar…

Apoema

Não posso esperar até o dia acabe,
pois necessito da força do vento
para apreciar verdadeiras verdades
inerentes a meu tempo.

Não posso esperar até que o dia se acabe,
preciso muito mais dele do que ele de mim
e sinto uma grande necessidade de ajuda
para que eu mesmo possa ter mais fôlego

E para que o meu tempo não se esvaneça…

Mas espero o tempo que for necessário
e até você chegar,
posso dormir mas não posso acordar…
posso me sentar mas não posso me levantar…

E tudo soa muito soprano,
como numa numa sinfonia de erros
em que muito se espera por algo que já passou…
e tudo é rápido, tudo é muito rápido quando já passou.

É um apoema,
sem volta, uma pergunta retórica
um problema sem solução
e no soluço do tempo os fatos acontecem

E surgem e desaparecem
e vão e veem
e se calam
e se acabam.

E enxergo além dos olhos,
percebo os sinais, vou longe e além
mas não saio do lugar,
pois espero sempre por alguém.

Ilusões

O Ilusório e o imaginário: uma caixa de fósforos, molhada. A ilusão e o pensamento são artefatos factuais de uma mesma peça, são fatos unidos pelo mesmo traço. São complementares antagônicos…

Ilusões

Penso que tudo não passa de uma mera ilusão.
Um passageiro momento de realidade,
circundado pela razão e pela emoção.
Em conformidade, ambos caminham como irmãos.

A razão é como uma mistura:
é mexida, é batida, é escandida e profunda…
Uma coleção de fatos amparados por uma luz,
um questionamento discreto sobre esta aventura.

Amparo-me na emoção,
uma porção vil e importante dessa tal realidade,
descrita como oposto mas atraída por tal –
E parceira do destino, escreve seu caminho na memória.

Aprecio tudo, mas não me engano:
vejo tudo, acompanho seu encanto…
E tudo era claro enquanto ninguém sabia,
parecia pálido mas ninguém desconfia.

Partia e chegava numa dimensão sem fim,
um momento de ilusão, uma busca interminável…
Desse véu transparente só enxergava as formas,
mas nada que me consolasse diante deste mesmo fim.

Nada que fosse inefável…

A razão e a emoção são ermos,
e no fim são iguais.
Mistura indispensável do mesmo fim,
a solução perfeita, fora tudo que se lhe parece…

Aparente razão, confluente emoção.
À espera do terceiro, em um teatro imaginário
cercado de gente, um aparente relicário…
E na memória, os contornos da separação.

Vou e volto sem saber por quê.
Preparo-me, mais uma vez,
em apenas mais uma tentativa
apreciado por aquele que me guia.

Cidades

Todos os dias, vejo cidades passarem por mim. E passam, como um rio que não tem fim. Vejo cidades, vejo ruas e avenidas, vejo pessoas, corações que batem e não percebo, vidas que passam pela minha e não conheço. Vejo cidades, vejo uma luz marcando meus olhos, vejo a partida e enxergo a chegada.

Cidades

É uma centelha,
uma luz que passa por mim,
marca meus olhos
e penetra em minha mente.

É uma oclusão bem definida,
de intensidade aparente
e enriquecida de imagens
e cores bem amigas.

Estou em uma outra cidade,
sem saber para onde ir
a apenas rumando
para onde a luz me levar.

E tudo passa por mim
sem deixar marcas,
mas em minha memória
as lembranças são inertes.

Suspensas e virais,
atrozes e vigorosas,
mortais e ruidosas,
separáveis e cálidas.

Sem saber, sou mirado
e perseguido pelo olhar
de quem não me precisa,
como um alvo.

Estático e absorto,
imprevisível e calculista,
escandido e decupado,
sou apenas mais um habitante.

E nesta estação não sei quem sou,
apenas que sinto e percebo…
uma luz que ilumina meus olhos,
e que me compreende no que vejo.

Chegada

A chegada é uma breve poesia. Enquanto tudo mudava, ninguém mais ouvia. “A vontade em alcançar, atingir o extenso e enxergar o que não via.” E a parada era a chegada, o único momento em que tudo se via, nada se sabia e tudo se alcançava.

Chegada

Preciso encontrar
o que enxergo,
mas não vejo.

Preciso alcançar
o que é extenso,
mas que não vem de encontro a mim.

Há uma grande distância
a ser transposta,
mas não invertida.

E há apenas um segundo
eu lhe alcançava,
mas não me envolvia.

E temia. Temia tudo
que era nada há um segundo
uma parada obrigatória:

Um pedaço de poesia…
Na tácita chegada, enquanto tudo ouvia
tudo girava, no mundo, em agonia.