Hipnoise

Aprendi a tocar violão com ajuda de dois amigos: o Marco Aurélio que me incentivou a apreciar o rock de verdade (além de me emprestar seu violão para estudo) e o Danilo, que me ensinou os primeiros acordes. Quando você aprende a tocar um instrumento musical, você tem que ser muito persistente para continuar até sair a primeira música. No meu caso foi “Parabéns à Você”. Depois dela, vieram outras tantas músicas que eu não conhecia e que me faziam viajar quando tocava. Nesta etapa eu já estava compondo as minhas primeiras canções e melodias, em parceria com o Marco Aurélio. Nunca fui bom letrista e nesta parte o Marco sempre foi muito criativo. Meu negócio sempre foi dar umas viajadas tocando violão.

Acho que esta foi a fase mais criativa da minha vida: todas as semanas compunhamos músicas. Geralmente o Marco escrevia as letras e eu colocava uma melodia e os acordes em cima. Eram poesias, poemas e histórias que musicávamos e que nasciam dos nossos instintos e sentimentos. Foi uma fase incrível!

Durante esta fase, compomos inúmeras músicas e as organizávamos em formato de discos, com direito a organização por tipo de rítmo e temática. Já tínhamos uns três discos, todos prontos pra gravar. E gravávamos. Eu tinha um gravador K7 bem antigo, com TV e rádio embutidos que meu pai comprou no Paraguai, lá pelos idos de 1989. Não sei como ele ainda funcionava, mas o fato era que ele nos servia e muito. Não pudemos gravar todas as nossas composições porque apenas algumas era que tocávamos com maior frequência, porque estavam bem terminadas. Eram finais de semana inteiros dedicados à esta atividade, que para nós, era quase que sagrada.

Sempre ficávamos pensando em nomes para bandas. “Hipnoise” era um tipo de nome que sempre estava em nossas mentes e que resumia uma série de idéias e ideais. O Marco sempre gostou de escutar Pink Floyd, The Who, Led Zeppelin e tantas outras bandas do rock progressivo. Eu tinha mais adoração pela vertente grunge do rock e gostava de bandas mais barulhentas como Silverchair (que hoje em dia já não aprecio tanto), Nirvana, Perl Jam e outros. Hipnoise tinha, então, um pouco de tudo isso: tinha um pouco de “Hip”, que representava um pouco a cultura hippie e o psicodelismo marcante do rock progressivo, tinha “Noise” do barulho das guitarras barulhentas do grunge e tinha também a nossa marca, que era uma mistura disso tudo. O Marco sempre foi muito inventivo e desenhava as possíveis capas de discos que poderíamos lançar. Tenho guardada em uma pasta (a mesma da época), todas as letras e músicas que compomos. O Marco fazia a gentileza de imprimir pra mim uma cópia e eu ia guardando. Na capa desta pasta me lembro de ter desenhado o nome “hipnoise” com o mesmo tipode letra que tem na capa do primeiro disco do Silverchair “Frogstomp”. Curtíamos muito aquilo tudo.

Nesta página, portanto, coloco um pouco daquilo que produzimos junto e em parceiria com o Rodrigo Fonseca (do Foca Song’s). Dos trẽs mosqueteiros em questão, eu foi o que ficou mais estagnado. Não avancei meus estudos no violão (devido a uma série de fatores), mas continuo a compor (raramente, mas continuo) e a escrever. O Marco teve suas bandas (atualmente está no “Desplacados”) e o Rodrigo compõe e divulga suas canções no “Foca Song’s“.

Em breve, várias outras músicas serão colocadas aqui. Gravar é um processo difícil, principalmente quando é artesanal (mas é muito legal também!).

Ah, para poder escutar as música no player embutido não se esqueça de instalar o flash player no seu navegador, caso não esteja instalado!!!

Caso você não consiga escutar as músicas no player embutido, basta clicar com o botão direito em sobre o link da música e salvá-la em seu computador:

Não tem desculpa para não escutar: basta salvar a musiquinha no seu computador!

Despertar


(Caso não consiga ouvir o arquivo, pode baixá-lo aqui)

Despertar é uma melodia tocada em D aberto (DADGBE), e é muito próxima de outras melodias que eu compuz há vários anos atrás. Nesta, curta e passageira, a melancolia passa por mim em um instante de espera, como em um sonho: de início lento, derradeira comoção, a aceleração e o final. “Pronto?!” e a curta melodia é finalizada. Gravei Despertar enquanto estava esperando a Helena terminar de se arrumar. Quando digo “pronto?!” pergunto à ela se podemos ir. Como que num lapso de tempo, devolvo-me ao tempo real. Gravado num celular. Mais artesanal do que isto, só as gravações que eu e Marco Aurélio fazíamos com o velho toca-fitas paraguaio do meu pai!


Solitude


(Caso não consiga ouvir o arquivo, pode baixá-lo aqui)

Solitude é uma melodia tocada em E maior (EADGBE) e talvez seja uma das que mais gosto. É provavelmente uma das mais antigas, tendo uns 6 ou 7 anos. Não me lembro exatamante a época em que a compuz, mas me lembro bem quando a tocava na calçada à noite em frente à minha casa. A rua da minha casa era pouco movimentada, isto é, não haviam tantos pedestres. À noite, nos dias mais frios, eu gostava de ficar sentado em frente ao portão fazendo sons com o violão e era muito instantâneo quando eu entrava no clima desta melodia. Era a solitude, de um não solitário, mas sozinho ao sabor do vento pensando em algumas canções. Sempre que quero me acalmar, Solitude parece ser um remédio, ela me transfere para outro estado emocional.


Outubro


(Caso não consiga ouvir o arquivo, pode baixá-lo aqui)

Outubro é uma melodia tocada em E maior (EADGBE) e foi composta por mim há uns 5 anos. Juntamente com Solitude, é uma das melodias que mais gosto, mas com o diferencial de possuir um dedilhado um pouco rebuscado. Compuz Outubro quando escutei pela primeira vez a música “The Piano” de Michael Nyman, que fez a trilha sonora do filme O Piano. Não sou muito conhecedor de música clássica (embora aprecie este gênero tendo inclusive a oportunidade de assistir a um concerto!). Mas “The Piano” é contemporâneo, e Outubro também não poderia deixar de ser. Outubro foi batizada assim simplesmente por eu não conseguir escolher um nome que a representasse como um todo. Acho que o melhor de Outubro não é a sua complexidade (para mim é um tanto quanto complexa :P), mas sim a intensidade com a qual ela é tocada. É delicada e ao mesmo tempo avassaladora.


Estação


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Estação é uma melodia tocada em D aberto (DADGBE) e certamente é a que mais gosto. Ela é simples (como a maioria das melodias que componho) e tem sua repetição. O som grave do D (como sendo o baixo de todos os acordes), dá o tom da melodia. Não me lembro exatamente quando a compuz, mas há uma execução que fiz dela e que me marcou muito: quando vendi meu primeiro violão folk. Foi como uma perda, e esta foi a última música que toquei com aquele violão. Lembro-me que as pessoas que estavam à minha volta pararam para escutar, e toquei Estação com emoção. Um violão é como um companheiro, e naquele momento, ele estava indo embora. “Azar dos fatos”, ou circunstâncias da vida.


Lembrança


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Lembrança não é bem uma melodia, mas uma pequena “passagem”. Faz muito tempo que a compuz (não sei exatamente se pode ser chamada de composição!). Acho que é um pouco difícil de classificá-las, mas não deixa de ser um conjunto de notas ordenadas :P. Ela é tocada em uma gaita de boca E e é muito breve. Lembrança recebe este nome por ser algo que me remete à um momento do passado, algo muito rápido, um lapso de tempo. É inefável e passageira, é pequena e rápida, como uma lembrança. Como é fácil fazermos o tempo nos trazer lembranças as quais nunca nos esqueceremos. A música tem esta função!


Saber


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Saber é uma melodia tocada em D aberto (DADGBE) e é bem curta. É uma espécie de momento passageiro, como quando se pega o violão e toca-se algo de improviso 😉 Mas como ficou legal (sou suspeito…), achei que valeria à pena aproveitar a gravação, mesmo não estando muito boa. Preste bem atenção à simplicidade da melodia. Tocar violão é fácil, criar melodias também. O difícil é fazer com que tudo isso faça sentido, mesmo que por um breve momento, é preciso Saber!


Devaneio


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Devaneio é uma melodia composta meio que sem querer. Na verdade, ela foi um “rabisco” promovido a “fraseado”, porque de certa forma comecei a gostar dela… e de tanto escutar, acabei gostando 😛

Como todas as minhas “composições”, sempre dou umas viajadas e acabado inventando alguma coisa acidental. Aliás, já comentei aqui no blog o quanto eu gosto desse tipo de música, que geralmente, é aquela que toca ao fundo de uma cena de filme em que o ator principal pensa na vida, ou em um momento decisivo do filme. Também, este tipo de música é conhecido como “música de elevador”.


Mono


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Mono é mais um pouco do que gosto de fazer no violão: repetições soturnas com pequenas variações ruidosas. Não sei porque esse tipo de som me atrai, mas deve ter alguma ligação com o fato de eu sempre prestar atenção em música incidental (aquela que geralmente toca em uma determinada cena de um filme, aquela que dá o tom, o clima). Sobre os ruídos ao fundo, eu realmente não me preocupo com eles, acho que eles podem constar como “testemunhas” do elemento de arte e criação. Porque, na verdade, tudo é um improviso.


Cirrus


(Caso não consiga ouvir o arquivo, pode baixá-lo aqui)

Cirrus é uma melodia composta em 2010, já não me lembrava mais dela. É basicamente o mesmo estilo de Solitude, mas com um andamento diferente. Sobre o nome, Cirrus é uma espécie de nuvem, alta, estratiforme e muito fria. Talvez esta música tenha sido feita em um dia mais frio, não sei, mas gosto dela!


Waltz


(Caso não consiga ouvir o arquivo, pode baixá-lo aqui)

Waltz é outra melodia composta em 2010, mais uma que acabei encontrando nos meus backups. A gravação não é muito boa, como de costume, mas de certa maneira isso também faz parte da atmosfera das músicas que componho. Não me importo muito. Como o próprio nome diz, é um tipo de valsa, mas num compasso mais ligeiro, mais acelerado. Interessante como depois de certo tempo, este tipo de música me parece mais sonoro do que qualquer outra coisa que eu consiga tocar hoje em dia!


Aquarela


(Caso não consiga ouvir o arquivo, pode baixá-lo aqui)

Aquarela é uma melodia bem curta, foi composta em 2012. Foi gravada em mais uma das minhas sessões aleatórias, sem muito ritmo ou compasso. É bem uma improvisação cujo valor consegui entender muito tempo depois. Ela me inspirou a escrever a poesia homônima que está aqui.

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6 comentários em “Hipnoise”

  1. cara, vc tem o conteudo dessa pasta que vc e o marco tinham com as musicas no pc? bom digitalizar isso pra não perder! E inclusive pra passar algumas coisas pra mim! kkkkk
    abraço! gostei mto do layout do site, ficou show! mas nao consegui ouvir a musica no player! =(

    1. fala rodrigo, valeu pelo comentário! cara, eu tinha umas fitas k7 comigo, mas infelizmente ocorreu um acidente em casa e acabei perdendo muito do que eu tinha. mas o marco deve ter alguma coisa, das nossas gravações. o que eu tenho bem guardado são as letras, e o som das músicas… esse fica ecoando na minha cabeça! vamos ver se o marco não libera alguma coisa pra gente 😉

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