Textos Antigos

Acho que comecei a pensar na vida e nas formas que ela engloba, quando comecei a escrever. Ensaios, poemas e poesias foram meios que me fizeram fluir através de meus pensamentos. Muita coisa me inspira e escrever: desde a forma como a vida da gente se desenrola até ao olhar para o céu e pensar que o que está ali no alto parece ser inatingível.

De fato, grande parte de minhas poesias e poemas são inspirados em pessoas com as quais convivo e convivi. Situações pelas quais passei e acompanhei as pessoas passarem. Acho que falar sobre a vida é bom, é como uma auto-análise que você faz de si mesmo. Toma exemplos e os aplica em sua vida, faz comparações de comportamento e tira conclusões.


Espelho dos teus olhos

Procuro mas não vejo,
Aquilo que me cala,
Aquilo que espanta o meu desejo.

Por onde passo, vejo um espelho,
Vejo na luz dos olhos,
O espelho dos meus desejos.

Procuro por onde andar, procuro sem me calar.
Aquilo que me serve,
Com alegria, me faz pensar.

Se me olho no espelho,
Vejo quem quero.
Vejo, mas não desejo.

Se me vejo nos teus olhos,
Encontro a minha vida,
Encontro os meus pensamentos.

Procuro mas não vejo.
A verdade que se cala,
A verdade que se encerra no meu peito.

Por onde passo, vejo um espelho,
O reflexo da verdade, aquilo que procuro,
Aquilo que almejo.

Procuro por onde andar, procuro sem me calar.

Nas minhas angústias, encontro a tua alegria,
Porque de mim parte este desejo.

Se me olho no espelho,
Vejo, mas já não enxergo.
Algo que me parece um exagero.

Se me vejo nos teus olhos,
Encontro tua alegria,
Encontro a poesia de onde partem os meus pensamentos.

Procuro mas não vejo,
As tristezas e as alegrias,
Pois em ti está a verdade sobre mim mesmo.

Por onde passo, vejo um espelho.
Um reflexo de mim, aquilo que penso,
Aquilo que desejo.

Procuro por onde andar, procuro sem me calar.
Procuro por mim mesmo, e
No espelho dos teus olhos, perco os meus medos.

Se me olho no espelho,
Não vejo aquilo que desejo,
Vejo apenas aquilo que não entendo.

Se me vejo nos teus olhos,
Entendo a mim mesmo.
Procuro por alguém que conheço.

No espelho dos teus olhos,
Encontro a tua vida,
Te encontro nos meus pensamentos.


Carta para Ana

O que há de novo por trás de todas as coisas que você ama,
mas que ninguém se lembra que você ama,
mas que ninguém se lembra que você, Ana,
é você mesma sem saber
que éramos três há uma semana?

O que há por trás de tudo aquilo que é novo,
sem que você conheça quais são os novos senhores
que te matam sem você saber quem você ama,
sem pressa, há uma semana?

Se de tudo aquilo que você ama
não há mais nada, pois da vida restaram
as horas que já passaram sem aviso prévio
daquilo que se ama e daquilo e que se chama: Ana.

Quais foram os teus erros, Ana,
que há uma semana te deixaram assim, sem alguém que te ama,
mas que há uma semana chora por você
sem vela, sem coração, apenas em oração?

Ana, para a tua vida deixo meus tesouros,
e para os teus tesouros deixo os meus.
De teus olhos faço os meus assim que
Você fizer dos seus o meu corpo e os meus tesouros.


Diante dos Teus Olhos

Diante dos teus olhos é passado
Aquilo que não vês mais

Das tuas mãos brota a semente que agora é a paz,
E nada mais

Diante dos teus olhos cresce, com esperança,
A tua criança, que miúda
Se faz perceber
Que ao invés da esperança, clama, e tem sede,
Pela tua perseverança.

Cria tua vida a partir do amor
Que lhe concede
Cria a tua vida a partir dos olhos de quem te conhece
Cria o amor para que com ele possa nascer de novo
E amar a tua criança.


Pelos Caminhos

Pelos caminhos por onde andei,
Encontrei a sinceridade que faltava
A todas as pessoas que me indicaram o
Caminho a ser tomado.

Nas pedras que encontrei,
Encontrei os sentimentos de todas
As pessoas que diziam ser fácil
Encontrar o caminho procurado.

No coração de todas as pessoas que visitei,
Não encontrei aquilo que procurava,
Mas no coração das pessoas que encontrei,
Procurei, e achei aquilo que não procurava.

Pelos caminhos que percorri,
Foi difícil perceber que as pedras,
As pessoas e aquilo que eu procurava
Eram apenas o tempo para que eu pudesse me encontrar.

Não há mais nada constante
Do que a inconstância em se procurar.
Não há mais nada duradouro
Do que a constante busca e nunca encontrar.

Do tempo tiro todos os gostos:
Do passado, todas as derrotas;
Do presente, todas as lutas;
Da vida, todas as memórias.

Alguém me disse que era fácil encontrar aquilo que procurava,
Apenas não me disse o quão difícil seria esta jornada.

Pelos caminhos por onde andei,
Encontrei pessoas que me acolheram,
Com seus doces temores,
Em lugar daqueles que nunca me receberam.

Nas pedras que encontrei,
Percebi que a vida há muito não existia,
E que por admirá-la com
Respeito, recebi em troca
A minha alegria.

No coração das pessoas que visitei,
Encontrei a dor por aqueles que há muito tempo não via.
E percebi então, que eles eram a vida, sem harmonia.

Pelos seus olhos vejo o futuro,
Pelo seu coração, o presente.

De todas as vezes que te procurei,
Apenas o que encontrei, foi a vida ausente.

Das memórias sobraram as belas paisagens por onde andei,
Das estrelas no céu, as pessoas que encontrei,
As pedras do caminho, as tristezas que deixei.


O Tempo e a Saudade

Passageiro das horas leva dias consigo e, por mim, nunca demora.
O tempo da amizade apagou minha solidão.
O Tempo e a Saudade,
Levaram consigo a minha amizade e a sua solidão.

Não demoro muito, mas releve:
A verdade sobre o tempo é estar sempre alegre.

A saudade deixou aqui a sua marca:
Parece cicatriz, dói – mas não traz mágoas.

O tempo e a saudade são um só, mas antagônicos:
Enquanto um se estende pela vida, dissolvendo os meus passos,
O outro se espalha em minha vida atando os meus laços.

Por onde andei, o tempo trouxe até mim a sua saudade,
E com ela pude preencher espaços.

Por onde andei, o tempo trouxe até mim os seus sentimentos,
E com eles pude preencher os espaços,
Deixando a saudade para trás,
Esquecendo os passos que dei,
Trazendo você até mim.


A Estação

Foi pela amizade de ontem que hoje virou amor.

Dos dias em que vivi,
Apenas naqueles em pude amar
Percebi que a amizade foi tudo o que perdi.

Desesperadamente procurei pelas pessoas
Que diziam versos bonitos na porta da estação:
Eram como flores no jardim,
Que se despedaçam pelo coração apaixonado
De quem, na amizade, busca um novo amor.

Foi assim que descobri o amor.
Do desgosto do tempo, apenas a dor foi o que me restou.
De resto em resto, ergui minha vida.

E assim foi: de resto em resto, que declarei o meu amor.

Da breve história do amor, descobri nossa amizade,
E de plena sabedoria, sabia, mas já era tarde.

Quem diria que em um dia, amaria quem a amizade me deixou.

E foi assim: apaixonado pela sua amizade que a verdade se revelou.

De todas as vezes que fiz da vida a virtude de viver,
Acabei abandonado pela paciência em lhe dizer…

Pena! Que pobre trecho de canção: virou a poesia dos apaixonados,
O desterro dos alienados, lançados ao mar da solidão.

Quanto àqueles que diziam versos bonitos na porta da estação,
Agora se foram. Nada mais dizem sobre a amizade.

Não há mais flores no jardim e nem corações apaixonados.
Pobre desfecho: não digo Adeus, não me vou embora.
Das horas tristes, agradeço e lhe conto o fim da estória.
Como todas as estações, esta não poderia deixar de ser passageira.
Apenas mais um equívoco, mas não um engano.

Estar certo sobre a amizade e sobre o amor, não é tão mau assim.

Não é como viver uma vida passageira: neste caso sou mais um que ama,
E mesmo assim, sou apenas mais um.

Quanto às flores no jardim, estas transformaram os versos bonitos novamente em canção.

Não para aqueles que a cantam, mas para aqueles que a amam.

E a espera não foi tanta para aqueles que acreditaram no amor:
O amor se transformou em estação, passageira da amizade, que a transformou novamente em canção.


Candura

Me conte tuas histórias,
para que eu possa decifrar teu destino.
Tuas palavras soam como um grito de alívio.

Me conte tuas venturas,
tuas mágoas, tuas penas,
pesados pecados – duras perdas.

Me conte, para que logo eu possa te dizer sim,
para que logo me aproxime da tua verdade,
para que logo tu me aproxime da tua vida…

Me conte tua história, mas não sejas dura:

O que me dizes quando apareces condenada sob
a sentença de quem não merece sofrer da tua culpa?

O que me dizes quando andas atormentada,
arrependida pelas ruas escuras,
perseguida pelos postes apagados
em uma noite tão escura?

O teu sorriso, não revela-me a verdade,
mas candura o amor de quem te procura,
de quem te acolhe, de quem te ama, Candura.

Foges à porta aberta, como um canto inacabado.
Acolhes a cor da rua, busca alento nas paredes escuras.
E mesmo assim vejo tuas roupas claras, o teu rosto ávido
e teu sorriso de candura.


Um breve pensamento sobre a Amizade

De todos os sentimentos, este parece ser o único que não trafega entre as brigas, os ciúmes e os desentendimentos do amor. Para muitos, a amizade não se realiza entre o coração de um e de outro, embora seja um sentimento, mas se realiza pela convivência, pelos encontros e pelas afinidades. Se para o amor há um sentimento maior que a amizade, como podemos dizer que a amizade é algo tão menos importante que o amor se a amizade não carrega consigo os desatinos do amor? Deve ser por isso que dizem (sobre o amor) “…que seja eterno enquanto dure…”-, na amizade, só não é eterno aquilo que não se realiza. Da breve história do amor, não sei dizer se tudo aquilo que os românticos dizem é verdade. Não se sabe o certo, entre o amor e a amizade, até que se vivência a experiência amorosa e afetiva. Nada comparável à paixão ou até mesmo à amizade apaixonada: do breve amor, resta a amizade, que de resto mesmo, não tem nada. Frugal sentimento.

Foi pela amizade de ontem que hoje virou amor.
Dos dias em que vivi,
Apenas naqueles em pude amar
Percebi que a amizade foi tudo o que perdi.
Desesperadamente procurei pelas pessoas
Que diziam versos bonitos na porta da estação:
Eram como flores no jardim,
Que se despedaçam pelo coração apaixonado
De quem, na amizade, busca um novo amor.


Assim como Todos Nós

O que adiantariam os paradoxos se você não tivesse a chance de resolvê-los, mesmo que romanticamente?

Assim como todos nós, às vezes nada parece ser assim, como todos nós.

Entendeu? Este é um exemplo de que um homem é infinitamente mais complicado que seus próprios pensamentos. O que mais me intriga, é como isso pode ser tão complicado e ao mesmo tempo misterioso. Na verdade, não se pode separar aquilo que é complicado daquilo que é misterioso. Você consegue separar um homem de seus pensamentos?

Assim como todos nós, às vezes nada parece ser assim, como todos nós.

Assim como todos nós, sempre há algo que parece ser assim, como todos nós.

De tudo aquilo que existe, algo e nada, parecem ser assim como todos nós,

E assim como tudo aquilo que coexiste, algo parece ser como nada, assim como todos nós.

Como pode algo parecer como nada, assim como todos nós? O fato é que coexistem, nós, algo e o nada. Parece a Teoria dos Universos Paralelos, tudo são probabilidades. Coexistir, nesta teoria implica em probabilidades. Estar meio confuso é coexistir com meia certeza. Enquanto uma parte de você vive, a outra morre, enquanto uma parte de você está alegre, a outra se encolhe. Enquanto uma parte de você ama, ao contrário do que muitos pensam, a outra parte não odeia, mas sofre.

Como se você estivesse confusa, meio certa está.

Como se você estivesse correta, meio enganada está.

De tudo aquilo que existe, o certo e o errado, a certeza e a dúvida, resistem, assim como se está.

E assim como tudo aquilo que coexiste, algo parece ser meio certo e meio errado, assim como todos nós.

Às vezes estar certo não implica em ter uma certeza, mas sim em ter uma dúvida ou mesmo estar enganado. Algo lhe diz que se todas as coisas fossem concordantes com aquilo que você pensa, nada pode lhe falhar. É mera coincidência, ou um sopro do destino estarmos ao mesmo tempo tão perto e tão distantes?

Assim que você tiver certeza, o engano lhe deixará.

Assim que você estiver enganado, logo a certeza o habitará.

De tudo aquilo que existe, do engano e da clareza restarão dúvidas e certezas.

E assim como tudo aquilo que coexiste, certamente o engano de uma dúvida não mais lhe restará.

Não pense sobre o que é certo ou o que é errado. Pense no que não é certo e no que não é errado. Pessoas fazem coisas certas e coisas erradas. A partir do momento em que você pensa sobre as pessoas elas deixam de ser o que são, pelo simples fato de você atribuir a elas o que é certo e o que é errado.

Assim como se você estivesse certa e eu errado.

Assim como se nós estivéssemos ora certos, ora errados,

Não haveria mais motivos para estarmos certos ou errados.

Como tudo aquilo que coexiste, não somos nós os personagens desta história, mas sim

Aquilo que não achamos certo e aquilo que não achamos errado.


O que seriam das estrelas sem os olhares sob o céu?

Não sei o por que, mas esta pergunta me veio à cabeça. Parece que esta é uma relação justa entre nós e as estrelas lá no céu. Mas o que seria de nós sem as estrelas sobre o céu?

Com certeza a primeira pergunta, ainda em tempo de responder, é muito mais difícil do que a segunda. A segunda pergunta talvez até tenha uma explicação científica, mas a primeira, acredito eu, não tem.

Parece um pouco confuso. Muito confuso mesmo. Por que será que nós teríamos tanta importância a ponto de sustentarmos nossos olhares sob as estrelas no céu? Acho que tudo que se pode ver é para ser pensado.

Às vezes me pego pensando sobre estas coisas, e não sei o porque, entendê-las não tem tanta importância assim quanto pensá-las. Acho que isso é que mantém na vida o desejo de se encontrar com o mundo em que vivo, sem ter medo de me perder e sem ter medo de me conhecer. Essa curiosidade deveria motivar cada um de nós a se apaixonar mais pela vida. Não digo isso pelas coisas do mundo, mas por quem você é, por quem você pode ser. Não vejo isso como algo errado, mas sem dúvida para muitos pessoas isso é uma ameaça.

Pensar sobre essas coisas me motiva a pensar sobre o por quê penso sobre essas coisas, e não sobre as respostas que eu deveria encontrar. Claro, quem foi que disse que ao pensar em uma pergunta, tenho que sempre encontrar uma resposta? Até concordo com quem diz que uma pergunta sem resposta não é pergunta, mas se sempre houver resposta, onde estarão as perguntas?

Voltando à questão das estrelas, creio que elas estão lá por um motivo tão especial que somente depois de vivermos aqui, encontraremos uma resposta. Acho que isso já me basta e, portanto, contento-me com minhas ilusões. Estas já me são suficientes, pois me possibilitam encontrar perguntas para as respostas que tenho. Sim, acredite, passamos a maior parte do nosso tempo tentando encontrar as perguntas para as respostas que temos. A nossa vida é um imenso quebra-cabeça a ser montado. Eu sei também que eu já lhe disse que as respostas só vêm depois das perguntas, mas para tudo aquilo que desejo saber, ou para as minhas verdades, posso apenas encontrar as perguntas que me servem, sem me preocupar com a ordem que isso venha a ter em minha vida. Não se pode montar um quebra-cabeça com as peças ordenadas, pois se assim fosse, não seria um quebra-cabeça.

PS.: A resposta para esta pergunta ainda será dada por alguém que desconhece as Leis de Kepler e da Gravitação Universal, pois à partir de tudo aquilo que se sabe é que se farão as perguntas para esta resposta.


O que nos parece ser a história da vida, é apenas a história muito incompleta de um instante.

Se eu pudesse, não estaria aqui escrevendo para você algo que pensei ou que imaginei. Seria mais interessante se eu pudesse lhe dizer o que sonhei. Não que aquilo que eu sonho seja mais interessante ou mais importante que aquilo que penso, mas um sonho é muito mais intenso. Acho que os sonhos, na verdade, abrigam os sentidos, e que cada sentido abriga os outros cinco.

Se eu pudesse lhe dizer tudo o que sonho, não estaria lhe contando apenas uma história, mas um instante de mim mesmo. Nos sonhos, tudo parece durar uma eternidade, enquanto que um pensamento é algo tão rápido e misterioso que de fato há mais estudos sobre a sinapse do que sobre os sonhos. É mais simples ser simples do que simplesmente ser complicado. Ou algo assim, como tudo que penso.

Trata-se de alimentar algo que você quer, mas de uma forma mais honesta. As pessoas passam muito tempo da vida convivendo com uma parte de si mesmo que já se foi há muito tempo. Nos sentimos um pouco estranhos com isso, tentamos nos entender, nos explicar e, ao final, daquilo que somos menos os instantes que já se foram, o que sobra ainda somos nós mesmos. Se conseguirmos dar os mesmos passos que a vida, ela passará e não nos perderemos. Digo isso porque passamos tempo demais juntando pensamentos sem saber qual a importância que isso tem para os outros.

Na verdade, não sei nada sobre sonhos. Talvez o máximo que eu saiba seja sonhar, e isso é como muitas coisas que nós vivemos no nosso dia-a-dia. Se sabe muito sem se ter o que conhecer, muito se fala sem se ter o que falar, muito se conhece sem se ter o que conhecer e muito se vive sem se ter tempo para viver. Eu sei, isso também é paradoxal.

Sonhar é bem mais interessante do que imaginar e menos interessante do que acordar. Isso com certeza é um pouco engraçado. Se você mais imagina, – pouco sonha, pois tudo aquilo que deseja foi estilhaçado enquanto você estava acordado.

Bem mais simples seria se tivéssemos alguns instantes para vivermos momentos importantes de nossas vidas, do que ter muito tempo e não viver nada. Bem mais simples seria se tivéssemos alguns instantes para pensarmos na vida, do que ter muito tempo e não pensar em nada. Bem mais simples seria se tivéssemos alguns instantes para nos amarmos, do que ter muito tempo e não amar nada. Bem mais simples seria se nós nos déssemos tempo para viver a vida, do que ter que vivê-la em instantes.

E claro, é mais simples ser simples do que simplesmente ser complicado.

Por isso é que acho os sonhos mais intensos.


Erro

Por que cometer erros antigos se há tantos erros novos a escolher?

É assim que tenho vivido há algum tempo. Na verdade não tenho “escolhido” novos erros, mas tenho vivido com os mesmos velhos erros de antigamente. Não sei o porque, mas sempre que tomo as minhas decisões, acabo atropelando, por vezes, o meu coração. É muito difícil para mim revelar aquilo que sinto, e assim acabo sempre cometendo os mesmos velhos erros. Vontade? Acho que não, talvez coragem. Pelo menos sei que não pode ser a coragem superior à vontade. Se assim fosse, não saberia mais o que fazer, nem o que pensar e muito menos o que dizer. Tenho vontade de lhe dizer, mas não tenho coragem. Muitas vezes (e repito: quase sempre) este é o meu erro. Daí o que acontece é o que realmente não quero sentir: a falta, o arrependimento, o fracasso…

Não pense que todas as pessoas são assim, mas muitas o são. Inclusive eu. Pode ser que eu esteja me descrevendo, mas o que importa não é apenas eu, o que importa na verdade, são as pessoas. Se não exisissem as outras pessoas, quem seria você? O que sei é que tudo o que uma pessoa imaginar, outras podem tornar real. Claro, não se trata apenas de pessoas, fisicamente falando. Trata-se, principalmente, de pensamento, de sentimento e de coração.

É muito difícil falar de si mesmo, especialmente quando se fala ou se escreve para alguém especial. Sim você é especial.

O que ainda não consigo entender muito bem, é como somos sempre capazes de cometer os mesmos erros, mesmo sabendo que o que virá depois não é bom. Este processo, se é que pode-se dizer assim, não é uma regra, mas o fato resume-se em uma simples questão de análise. Enquanto pessoas, somos muito analíticos. As pessoas vivem analisando o que é melhor e o que é mais vantajoso para elas. Isso não é bom, pelo menos não muito. Fazendo isso, perdemos o instinto de nos arriscarmos mais, de fazer diferente, de errar. Acho que a grande conquista é errar sabendo que se está acertando. Parece um paradoxo, não é mesmo?

Como é que sabemos se estamos acertando? Isso não dá pra dizer, pois como sempre, a resposta só vem depois da pergunta…

A princípio, isso pode assustar um pouco, mas com certeza é muito sutil e talvez até agradável.

Na realidade, muitas vezes substituímos aquilo que dizemos ser o conhecimento

por aquilo que desejamos. Isso acontece também com a verdade. A minha verdade (e só posso dizer sobre a minha) é aquilo que desejo para mim.


Corações Perfeitos

Você sabe qual é o seu lugar no mundo?

Muitas vezes me pergunto qual é o meu lugar no mundo, qual é o propósito da minha vida. Vejo, muitas vezes, pessoas próximas com as mesmas questões. Na televisão pouco dizem sobre isso e, não sempre, as respostas que obtenho me satisfazem. Quer dizer, me indicam uma direção. E nestes casos, sempre, o caminho mostrado é a religião. Não importa qual, mas o fato é que as pessoas estão habituadas a justificar a própria existência com base em um plano maior, um propósito ecumênico, onde não há diferenças de raça, sexo ou religião.

Mas ao pensar em meu lugar no mundo, penso primeiro no meu dia-a-dia. Será que o meu presente está de acordo com o que quero para meu futuro? Desculpe, não quero filosofar sobre a minha vida, mas sobre a vida de uma forma sóbria e despida de paradigmas religiosos e científicos. Às vezes penso que minhas atitudes têm andado muito na contramão do meu ideal de vida. Durante minha infância vivi momentos muitos difíceis e que me trouxeram muitos exemplos de vida, muitas lições. Foi muito difícil aceitar certas opniões sobre mim, principalmente sobre meu pai. Minha mãe soube muito bem como me ensinar que aquilo que sou é tão importante para mim mesmo do que para os outros. Isso me fez perceber que meu caráter depende não apenas de minha formação (como quase todo mundo pensa, e que ao ler isto concorda imediatamente). Minha vida depende muito mais de meus atos e de minhas omissões do que o que pensam sobre elas. Meu pai me deu grandes exemplos disso, principalmente porque em alguns momentos eu pensava que sabia que o que ele estava fazendo era certo ou errado. Não, não. Ele sabia, mesmo se enganando, que o que ele fazia estava certo ou errado. Este foi o exemplo que ele me deu. Não o poderia julgar simplesmente porque não estava em sua posição. Não estava vivendo seus tormentos, suas aflições, sua angústias. Não se pode julgar, nunca, se não está no mesmo lugar. Minha irmã também me ensinou muito, principalmente quando teve o primeiro filho. Quanta mudança, que maturidade. A menina transforma-se em mãe. Comecei a enxergar nela minha própria mãe e, quando já não mais distinguia, percebi que as pessoas não mudam. Elas se transformam. Você pode até não concordar muito comigo agora, mas é fato que a necessidade é uma via de mão única, aprendemos para o nosso bem.

Mas muitas vezes podemos nos enganar. É o efeito comoção, e é aqui que podemos nos distinguir. Podemos caminhar nas ruas e ver que as pessoas se movimentam passando por cima de tantas coisas que é até comum não enxergarmos o próximo. As pessoas enxergam, mas não vêem. Quantas pessoas precisam de ajuda? Quantas pessoas podemos ajudar doando o mínimo de nós mesmos? Não é exagero dizer que casos comoventes aparecem apenas na televisão. Claro, porque nunca vai nos acontecer mesmo. Você pensa assim? Então você não sabe qual é o seu lugar no mundo. Se olhe no espelho e veja se o que você é, é suficiente para quem precisa de você. Você está aqui porque outras pessoas precisam ou vão precisar de você. Não só porque vão precisar de você, mas porque você vai aprender com tudo isso.


A Breve História do Tempo

O tempo é a breve história de um pensamento sobre a amizade.
O tempo é a breve história de um pensamento sobre o amor.
O tempo é a breve história de um pensamento sobre o tempo.

Breves são os pensamentos que encerram as mais embaraçosas situações quando não se pode escapar delas. Mais breve ainda é o amor, que de tão embaraçoso, não deixa a paixão se tornar amizade. Ou seria o contrário?

No breve cabem os pensamentos, os sentimentos, os desejos, o amor…

O breve da amizade é o tempo, que de tão curto, dura a vida inteira.

É breve porque é curto.

Breve são as escolha, que de tanto se pensar nelas, nos convencemos de que não há mais escolhas.

Do tempo ao tempo
Da loucura à vaidade
Da sede à ganância
Da bondade à esperança:
De todas as formas ao advento.

Por onde passa leva consigo
As memórias, a juventude,
As vitórias e as derrotas:
Por onde passa leva tempo.

Tempo para amar as pessoas,
Tempo para amenizar os ânimos,
Tempo para pensar,
Tempo para você.

É culpa do próprio tempo
É não da velhice;
É culpa do tempo
E não da juventude.
Na verdade, não é culpa do tempo,
Mas da vaidade que fazemos do tempo: juventude.

Só não é sua culpa
Aquilo que acontece com o tempo.
A sua vida é sua, culpa sua.
Não é do tempo a minha vontade,
Mas é do tempo a nossa amizade.

Frugal sentimento.

Da breve exatidão do tempo, tiramos a vida.
Da breve exatidão das palavras, tiramos os pensamentos.

Tudo é muito breve para se perder tempo.
O que não se pode dizer sobre a amizade, sem que se perca o breve sentimento do amor?
E o que não se pode dizer sobre o amor sem que se perca o breve sentimento da amizade?

Tudo cabe no breve:

A memória se encerra na lembrança,
As palavras se encerram nos pensamentos,
O amor se encerra na amizade.
Não que esta seja breve,
Mas é que é brevemente duradoura.

Tudo cabe no meu breve coração:

Cabe a paz de quem a procura,
Cabe o amor de quem se perdeu
Cabe a vida de quem a procura
Cabe a beleza de quem a perdeu

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