Meus Computadores #2

Em 2011 fiz uma postagem falando sobre os meus computadores, e sobre como eles era legais. Desde então, tive (e ainda tenho) 3 outros computadores. Estes novos computadores não são mais especiais do que aqueles que já tive, mas são computadores diferentes.

Em 2012, quando iniciei meu doutorado em Meteorologia, comprei um MacBook Pro (Late 2011). Estamos em 2018 e eu ainda o uso diariamente, sendo ele o meu computador “on the go”. Já fiz vários upgrades nele, o que me permite utilizá-lo ainda hoje. Mas antes, vamos às suas configurações originais:

Macbook Pro (Late 2011)

  • Processador Core i5 de 2.4 GHz;
  • 4 GB de memória RAM;
  • HD mecânico de 500 GB (5400 RPM);
  • Vídeo Intel HD graphics 3000.

Para a época, esta foi uma excelente máquina (e ainda hoje me permite fazer tudo o que preciso). Como o passar do tempo, com aproximadamente 1 ano de uso, a primeira coisa que fiz foi trocar a bateria. Sim, a bateria original desse MacBook Pro começou a apresentar problemas com 1 ano de uso, logo depois que a garantia dele expirou. Fiz um post sobre a duração da bateria dele aqui. Essa bateria começou a apresentar problemas de cansaço com aproximadamente 250 ciclos, o que não é razoável, e por ser uma bateria original, deveria ter durado pelos menos mais uns 200 ciclos a mais (veja o referido post para entender o que representa um ciclo de uma bateria de polímero de lítio). Como era um usuário Apple de primeira viagem (e como sou muito chato com as minhas coisas), acabei trocando a bateria do MacBook Pro. Comprei uma bateria nova no Mercado Livre e, pasmem, essa bateria foi muito superior em relação à durabilidade, quando em comparação com a bateria original. Apesar disso, o tempo de duração dela não foi igual ao tempo de duração da bateria original. Mas era o suficiente para ter entre 3 e 4 horas de autonomia (nada mal). Atualmente, ainda estou utilizando esta mesma bateria (ela já tem durado quase 6 anos!) e ela já está mostrando seus sinais de cansaço. Apesar disso e, com um pouco mais de experiência, não me incomodo mais com as mensagens do OS X pedindo para verificar a bateria (em inglês, “Service Battery”), porque ela ainda aguenta umas 2 horas de carga e eu sei que não vou ficar na mão de uma hora para outra.

Além da bateria, troquei também o vergonhoso carregador do Macbook, com o seu pavoroso cordão elétrico de pífia qualidade. Comprei um parelelo no Mercado Livre, o qual tem me servido bem (apesar de não recomendar qualquer carregador chinês, principalmente se a sua bateria ainda for a original). Um amigo do trabalho me deu um carregador, também paralelo, mas com o cordão elétrico também estragado. Eu tentei consertar o carregador original com a troca do cordão elétrico (também adquirido pelo Mercado Livre), mas acabei estragando este. Então, acabei consertando o carregador que meu amigo me deu e desde então, utilizo os dois. Deixo um em casa e outro no meu trabalho, assim não preciso mais ficar enrolando e desenrolando o fio e esperando eles estragarem. Aliás, ter dois carregadores, tem se mostrado como uma excelente solução. Ainda no quesito carregador de Macbook, quando estive nos Estados Unidos em 2014, comprei pela Amazon um protetor de silicone que evita que os cabos se dobrem demasidamanete, evitando que eles se rompam. O nome desse protetor é “PythonCord” e vale a pena, funciona muito bem.

Logo após a substituição da bateria, o próximo upgrade foi o HD. Na época, já com um ano e meio de uso, resolvi que queria trocar o HD por um maior e de melhor performance. Como naquela época os SSDs ainda possuíam preços proibitivos por aqui, comprei um HD híbrido da Seagate, com 1 TB. Esse HD torna o boot mais rápido e o acesso aos aplicativos também. Embora tenha um desempenho intermediário, entre o HD mecânico e o SSD, foi um bom upgrade.

Acho que o sucesso do tempo de duração dessa “nova” bateria, em parte, se deve à substituição do HD mecânico por um HD de melhor performance, um SSD Crucial MX 100 de 500 GB. Comprei esse SSD em 2015 (ainda nos Estados Unidos), e com certeza, foi o melhor upgrade que poderia fazer nessa máquina. Depois de instalado, meu Macbook Pro parecia novo em folha, muito rápido. Nesta época, eu também já havia feito o upgrade para 8 Gb de memória RAM, que foi o segundo melhor upgrade da máquina (obviamente, em uma máquina como essas, não há muitas outras opções de upgrade que não sejam a memória RAM e o HD). Ainda sim, poderia levar os upgrades dessa máquina mais adiante, substituindo o leitor de DVD (SuperDrive) por um caddy e então incluir mais um SSD e fazer um RAID 0 entre eles e ter velocidade de leitura e escrita próximos a 1 Gb/s (se não mais), uma vez que essa máquina possui SATA III (de 6 Gb/s). Mas como ela me atende muito bem para o que preciso, não penso que compense fazer isso. Atualmente, as limitações dessa máquina que já vai completar seus 6 anos de uso, está no aspecto gráfico: a placa de vídeo Intel HD graphics 3000 já está muito defasada, além do que a resolução da tela ser também inferior com os seus 1280×800 px. As telas retinas dos Macbooks mais recentes e os monitores externos full HD entregam uma experiência muito mais agradável. Apesar disso, pelo menos a Intel HD graphics 3000 apresenta uma vantagem: a quantidade de memória RAM que é compartilhada com o sistema, aumenta se a memória RAM do sistema for aumentada. Então, quando aumentei de 4 GB para 8 GB, a placa de vídeo também pode ser beneficiada, o que é bastante desejável, ao contrário do que acontece com os Mac Minis com placa de vídeo dedicada (e que não compartilham a memória RAM do sistema).

Em 2016, já percebendo uma necessidade de ter um computador desktop que me permitisse ter mais espaço de armazenamento e uma placa de vídeo e monitores melhores, decidi pesquisar no Mercado Livre e encontrei um Mac Mini (Mid 2011). O preço que paguei por essa máquina estava dentro dos limites indicados pelo Mac Magazine, e foi uma boa compra, pois apesar de ser usada, ela veio na caixa original, com os manuais, cabo de força e adaptador HDMI/DVI originais.

Mac Mini (Mid 2011)

  • Processador Core i5 de 2.5 GHz;
  • 4 Gb de memória RAM;
  • HD mecânico de 500 Gb (5400 RPM);
  • Vídeo ATI Radeon HD 6630M (256 Mb, GDDR5).

A maior vantagem desta máquina era a possibilidade de se adicionar mais um HD. Como eu estava com o HD híbrido guardado, comprei mais um SSD de 480 Gb (um SanDisk Pro) e fiz um Fusion Drive com esses dois discos. Só que para fazer isso, tive que comprar um kit de upgrade para o segundo HD no Mac Mini. Esse kit, também adquirido pelo Mercado Livre, inclui uma espátula de plástico, uma ferramenta de remoção da placa mãe do Mac Mini, o cabo flat do segundo HD e as borrachinhas de fixação do HD. O único problema dessa instalação, é que é necessário desmontar todo o Mac Mini para instalar o segundo HD. Feito isso, e configurado o Fusion Drive, essa máquina funcionou muito bem e atendeu as minhas expectativas, em termos de espaço e desempenho. Para efeito de comparação, o desempenho do Fusion Drive foi melhor do que o HD híbrido (o que era esperado), mas muito próximo do SSD (puro). Um aspecto que gosto bastante nesta máquina é que a sua placa gráfica é uma ATI Radeon HD 6630M, com 256 Mb (o que é muito pouco), mas com banda GDDR5, o que é muito bom. Comparativamente, a Intel HD graphics 3000 só ganha na quantidade de memória. Os jogos que mais gosto (Dirt 2, Dirt 3 e Grid) rodam relativamente melhor na ATI Radeon HD 6630M do que na Intel graphics HD 3000, apesar da pouca memória RAM. Depois do upgrade nos HDs, aumentei a memória RAM para 16 GB, o que foi excelente, permitindo que a máquina se mostrasse em pé de equivalência com os Mac Minis mais atuais em termos de configurações. A vantagem destas máquinas mais antigas é que elas são flexíveis, ainda são atualizáeis (em termos de software) e possuem bons processadores (com dois ou mais núcleos).

Eu sempre admirei as torres de alumínio dos Mac Pro, desde os incríveis modelos de arquitetura PowerPC G5 originais, com resfriamento líquido, até os mais modernos com arquitetura Intel de 2012. Os novos modelos de 2013, foram revolucionários no design, mas prenderam os usuário aos caríssimos dispositivos Thunderbolt com seus preços malucos. Mas em contrapartida, fizeram com que essas máquinas fantásticas de alumínio tivessem seus preço reduzidos. Então, comecei a olhar de vez em quando aqui e ali e dei pesquisei qual modelo de Mac Pro seria mais seguro e sensato investir. Essa era apenas uma possibilidade, e não fazia planos reais, mas olhar e estudar a viabilidade de se ter uma máquinas dessa em casa, não custava nada.

Comecei a olhar os modelos de Mac Pro disponíveis no mercado. Como os modelos 3,1; 4,1 e 5,1 são idênticos por fora, então percebi que há muita gente vendendo máquinas mais antigas por aí como se fossem as mais recentes (até 2012). Para se ter uma idéia mais clara: estamos falando de Workstations, e não computadores pessoais e essas máquinas tem um propósito bastante diferentes quando comparadas com Macbooks e Mac Minis. Mac Pros são máquina que podem ser configuradas com até dois processadores de 6 núcleos cada (totalizando 24 núcleos) e até 128 Gb de memória RAM. São máquinas utilizadas em estúdios de gravação, estúdios de produção de vídeos e animações, renderização de modelos tridimensionais e computação científica. Esta última área, pelo manos aqui no Brasil, não é tão “popular” porque é muito mais barato comprar uma Dell Precision com dois processadores, uma tonelada de memória RAM e rodar o Linux para as aplicações que se deseja.

Mas, para qual finalidade eu estava procurando um Mac Pro? Armazenamento: estas máquinas (pelo menos as 4,1 e 5,1) suportam até 12 TB, contanto com 4 baias para HDs de até 3 GB; Processamento gráfico: os modelos 4,1 e 5,1 já vinham de fábrica com a ATI Radeon HD 5770 ou 5870 (com memória GDDR5 e pelo menos 1 GB de RAM); Memória RAM: já falei que essas máquinas suportam até 128 GB de RAM? Bem, é claro que comprar uma máquina dessas com uma configuração mediana e depois fazer os upgrades desejados, pode acabar saindo caro. Então, é melhor pesquisar a máquina com o melhor custo benefício. Para o que eu queria, a máquina com essa relação foi o Mac Pro (Mid 2010). As diferenças entre ela e a versão de 2012, é apenas a velocidade dos processadores. Eis as especificações da máquina que consegui encontrar (na minha cidade!!):

Mac Pro (Mid 2010)

  • 2 x 2,4 Ghs (Quad-Core Intel Xeon);
  • 6 Gb de memória RAM;
  • Placa gráfica ATI Radeon HD 5770 (1 GB, GDDR5);
  • 7 Tb de armazenamento (2 discos de 3 GB e 1 disco de 1 GB).

Encontrei esta máquina na minha cidade, há 800 metros de onde moro. Foi um achado, e esta máquina, assim como o Mac Mini, ainda possui a caixa original, com o teclado e mouse (também originais), toda a documentação e as mídias de instalação. Por ser uma máquina de 2010, as condições dela são impecáveis: limpa por dentro (sem poeira) e sempre utilizada em um estúdio com ar condicionado, ambiente de não fumante e nobreak. Realmente, uma máquina difícil de se encontrar. Comprar uma dessas pelos correios, poderia ser um pouco arriscado, dado os seus mais de 18 Kg. Tenho utilizando esta máquina na seguinte forma: configurei um JBOD (acrônimo para “Just a Bunch of Disks) – eu poderia ter feito um RAID 0, mas tenho um disco de 500 GB que queria utilizar junto com os outros discos de 3 TB. Por enquanto ela está com 6 GB de memória RAM, mas já estão à caminho os upgrades: 32 GB de memória RAM, uma placa PCIe para colocar o SSD de 480 GB que tenho utilizado nela pela interface SATA II (3 Gb/s) – ainda sim, é muito melhor do que pelo HD mecânico convencional, e mais uma placa PCIe USB 3.0 (com 4 portas). Nela armazeno todas as minhas fotos, vídeos, jogos e backups de alguns anos. Mas com uma máquina dessa, é importante manter pelo manos um backup: faço o backup dos dados mais importantes em um HD da Seagate de 5 TB. Tenho algumas idéias para explorar os recursos desta máquina, visto que ela é um monstro. Como ela tem vários núcleos e em breve terá uma quantidade generosa de memória RAM, poderei rodar alguns modelos nela, trabalhar com computação científica entre outras aplicações.

Com isso, essas são as minhas três novas máquinas. Acho que posso dizer que migrei quase que definitivamente para os Macs. Eu gosto do sistema operacional (embora alguns aspectos nele me incomodem); gosto da solução de backups (pelo TimeMachine) e da estabilidade (raramente apresentam algum problema). Em relação aos novos Macs, o fato de não permitirem upgrades, fazem com que sejam produtos de nicho, com prazo de validade. Os Macs mais antigos estão aí para quem os querem, e para quem quer explorá-los ao máximo.

É isso!

 

Service Battery: resolvendo problemas de bateria do Macbook Pro

A bateria de qualquer notebook é um item consumível e é certo que sua vida útil tem um prazo de validade. Muitos usuários de dispositivos portáteis, sejam notebooks, tablets e smartphones, reclamam que suas baterias não duram o suficiente ou que sua cargas são drenadas muito rapidamente. Tudo depende do uso que se faz: se você não usa o blutooth, por que deixá-lo ligado? Se você não usa o wifi, ou o 3G, por que deixá-los ligados? Qualquer serviço que não seja utilizado e que esteja ativo no sistema (o wifi por exemplo, fica procurando por redes mesmo estando conectado) consome bastante bateria.

O Macbook Pro é um notebook equipado com um tipo de bateria comum: o polímero de lítio. Este tipo de produto é utilizado em diversos tipos de bateria e, diferentemente das baterias de níquel-cádmio, não tem o problema do “efeito memória”, ou seja, elas não viciam. Você pode utilizá-la um pouco e logo em seguida carregar e depois descarregar mais um pouco. Esse vai e vem da carga da bateria de polímero de lítio não afeta a qualidade ou a capacidade de retenção de carga da bateria em sí. Mas sempre haverá a necessidade de se realizar algum tipo de “manutenção” na bateria, principalmente porque o computador precisa calcular corretamente a quantidade de carga restante e fornecer esta informação para o usuário do computador. E isso é feito com base em estatística de utilização da bateria.

A mensagem “Service Battery”

Provavelmente a mensagem “Service Battery” (ou “Reparar a Bateria”) aparecerá uma vez ou outra ao longo dos ciclos de utilização da bateria do Macbook Pro. Dependendo do uso que se faz do computador, essa mensagem poderá aparecer mais cedo ou mais tarde. No meu caso, essa mensagem apareceu com mais ou menos um ano de uso. Costumo utilizar bastante a bateria do meu Macbook Pro, consumindo muitos ciclos de carga carregando e descarregando algumas vezes durante a semana. Mas você sabe como é calculado um ciclo de carga da bateria do Macbook Pro? Um ciclo de carga é calculado da seguinte maneira: suponha que você desplugou o notebook da tomada e começa a usar a bateria, e você a usa até ela atingir 70% de carga restante. Ou seja, você utilizou 30% da carga. Aí você resolve colocar na tomada e carrega até 100% de carga. Quando você desplugar o notebook da tomada e começa a utilizar novamante, digamos até atingir 60% de carga restante, então você terá utilizado 40% da carga. E faz esse processo novamente e consome mais 30% de carga. Somando-se os consumos parciais de 30% + 40% + 30%, obtemos 100% o que representa um o consumo de 1 ciclo completo de carga. Então, um ciclo de carga do Macbook Pro não é apenas descarregar e carregar por completo, mas também as cargas parciais. E é nesse processo que a bateria vai se cansando, demandando algum tipo de manutenção.

A mensagem “Service Battery” indica que a bateria necessita de manutenção. Geralmente, dependendo da idade e do estado da sua bateria, um simples ciclo de carga e descarga pode resolver o problema. Em outros casos, como quando sua bateria mesmo depois da manutenção ainda continuar mostrando a mensagem, talvez seja necessário substituí-la. No meu caso, quando a mensagem apareceu pela primeira vez, um ciclo de carga e descarga pareceu resolver o problema, mas por pouco tempo: dias depois o problema voltou a aparecer e a carga da bateria começou a ser consumida muito rapidamente.

Service Battery – talvez a sua bateria precise de alguma atenção especial.

Alguns utilitários podem ser úteis para se averiguar o estado da bateria do Macbook Pro. Eu utilizei o coconutBattery e achei bastante útil:

coconutBattery – um excelente programa para o monitoramento da saúde da bateria do Macbook Pro.

O coconutBattery é um programa simples e bastante útil que permite o usuário ter uma visão mais detelhada da situação da bateria e do seu uso. No meu caso, depois que a mensagem “Service Battery” apareceu pela primeira vez, descobri que a minha bateria estava retendo cerca de 78% da capacidade original com apenas 211 ciclos, que na prática, me fornecia cerca de duas horas e meia de autonomia. Provavelmente isso pode estar relacionado a forma como eu uso a bateria do meu computador e também a um possível defeito da bateria. Constatado um possível problema com minha bateria, a medida a ser tomada é a manutenção da bateria.

Calibragem simples da bateria

Pesquisando um pouco aqui e ali, descobri que um ciclo de manutenção da bateria tem alguns passos extras. E foram estes passos que realmente fizeram com que a bateria do meu Macbook Pro voltasse a funcionar corretamente:

  1. Desconecte o macbook da tomada de utilize-o até que ele desligue por completo;
  2. Depois de desligado, deixe-o repousar por completo durante algumas horas (pelo menos 5);
  3. Depois do repouso, carregue o macbook por completo, sem utilizá-lo.

Seguindo estes três passos, consegui resolver o problema da bateria do Macbook Pro. Alguns foruns na internet recomendam, em último caso, o reset do SMC. Pelo que pude apurar, este é um passo a ser dado, quando nada mais for possível. Caso seja de sua necessidade, siga este tutorial. Depois de “recalibrar a bateria”, o indicador da bateria do Macbook Pro deixou de apresentar a mensagem “Service Battery”, e o coconutBattery apresentava cerca de 79% de retenção da capacidade original.

Depois de algumas semanas, eventualmente, o aviso de serviço da bateria voltou a aparecer. Tentei novamente o procedimento descrito acima, mas não consegui o mesmo resultado. Neste momento, com mais de 1 ano de uso e com a garantia da Apple expirada, eu não tinha mais a possibilidade de trocar a bateria. Uma nova custa cerca de 600 reais nos revendedores autorizados da Apple, ou cerca de 300 reais no mercado livre. Mas como ainda minha bateria conseguia reter pouco mais do que duas horas, então não havia porque substituí-la naquele momento, até porque qualquer a capacidade prática total de qualquer outro notebook comum é de cerca de duas horas.

Entendendo o uso da bateria

Depois de algumas semanas de uso e evitando ao máximo o uso desnecessário da bateria, percebi o seguinte comportamento do Macbook Pro em relação à bateria: sempre que eu usava 20, 30% da capacidade e depois colocava o computador para carregar, a capacidade da bateria mostrava a tendência de voltar ao “normal”. Nos gráficos abaixo (feito a partir das informações colhidas pelo coconutBattery), pode-se perceber este comportamento:

Identificando problemas com o uso da bateria: capacidade de carga versus contagem de ciclos.

Neste primeiro gráfico, estão plotados 70 dados com informações sobre a contagem do ciclo e a capacidade da bateria (em mAh – miliamperes hora). Em um primeiro momento, duas informações úteis podem ser obtidas pelo gráfico: a primeira, que se refere ao mínimo da curva no ciclo de carga 218, com o valor 4200 mAh de carga da bateria. O segundo, é a crescente exponencial ocorrida a partir do valor mínimo. Estas duas características da curva representam o ciclo de “calibragem” que eu realizei na bateria do Macbook Pro (veja a lista de passos acima), a partir do momento em que a mensagem “Service Battery” surgiu no menu da bateria. Esta calibragem, de alguma forma, devolveu algum fôlego à bateria do Macbook Pro, seja pela correta utilização da bateria ou mesmo pela forma com que o sistema de gerenciamento do computador “enxerga” a utilização da bateria, apresentando uma extimativa mais correta do uso da mesma. A partir do ciclo 220, ou seja, dois ciclo de carga/descarga depois até o ciclo 221, a carga da bateria oscilou em torno do valor 4600. Ou seja, a calibração da bateria devolvei 400 mAh de carga útil ao notebook. O outro mínimo que pode ser visto entre os valores do ciclo 222 são referentes a quando o aviso “Service Battery” voltou a aparecer no menu do Mac OS X. Depois disso, a mensagem desapareceu e a capacidade máxima de carga da bateria voltou a oscilar por volta de 4600 mAh.

EDIT (12/3/2015): Alguns meses depois que escrevi este artigo, comprei uma bateria paralela no Mercado Livre. Atualmente ela está com mais do que 1 ano de uso, contando 214 ciclos e 4719 mAh de autonomia. Não estou tendo nenhum problema com ela. Aliás, o desempenho dela está se mostrando melhor do que a bateria original da Apple.

A seguir, um gráfico com as informações de capacidade de carga da bateria versus o uso diário (é importante observar que neste caso, os dados são diários e que os 70 valores plotados acima estão interpolados):

Identificando problemas com o uso da bateria: capacidade de carga versus uso diário.

O gráfico da capacidade de carga versus uso diário é compatível com o primeiro gráfico e mostra as datas dos máximos e mínimos da curva. O interessante é notar que entre o mínimo e o máximo da curva há um intervalo de 6 dias, ou seja, a medida de calibragem da bateria teve um efeito positivo de 6 dias (que representam os 400 mAh recuperados da carga). Neste período, as oscilações da carga (o que é perfeitamente normal para uma bateria de computador) foram incrementadas conforme o uso, sendo que a estimativa de carga da bateria mostrou a tendência de recuperar informações sobre as células que lítio que provavelmente não estavam sendo acessadas/utilizadas da forma correta. Antes disso, entre os dias 27 de abril e 8 de maio, a bateria apresentou a sua pior performance. Esta performance pode estar relacionada com a excessiva “ciclagem” da bateria, ou seja, muitos ciclos de carga/descarga durante este período. Uma análise semelhante é apresentada no gráfico abaixo, que apresenta a contagem dos ciclos versus o uso diário da bateria.

Identificando problemas com o uso da bateria: contagem de ciclos vesus uso diário.

Antes de discutir o gráfico acima, é interessante observar que uma boa relação de uso da bateria com a contagem de ciclos diária, se aproximaria de uma curva degrau em que quanto mais comprido o valor do ciclo ao longo de vários dias, melhor. Esta relação não necessariamente se mostraria como algo positivo para a bateria porque ela foi feita para ser utilizada, mas no meu caso, quanto mais cuidado com o uso, melhor. No gráfico acima, observa-se que uma curva ascendente com alguns períodos constantes. Estes períodos constantes representam dias em que a bateria não recebeu 1 ciclo completo de carga/descarga (lembre-se que 1 ciclo completo é a soma dos usos parciais até completar 100%). Durante o período de 2 de maio até 9 de maio, o uso da bateria foi mais intenso, sendo incrementado quase que linearmente ao longo do período. Este período de 7 dias (1 semana), corresponde a um incremente de aproximadamente 3 ciclos. Ou seja, a bateria do notebook foi carregada/descarregada 3 vezes ao longo de uma semana. A Apple recomenda que este procedimento seja realizado 1 vez por mês ou a cada dois meses, caso você o notebook seja utilizado durante muito tempo na tomada. O meu uso é bastante variado, visto que em uma semana, utilizei bastante a bateria do computador. Também, este período compreende o período em que a bateria apresentou a sua pior performance (vide gráfico 2). A partir do dia 29 de maio até o fim do período (dia 6 de junho), a bateria apresentou uma taxa de carga/descarga alta (ou seja, mais ciclos foram realizados por um pequeno período de dias), que mostra que a bateria não foi descarregada e carregada por completo, mas sim utilizada um pouco na bateria e logo em seguida carregada. Esta é um constatação bastante pertinente porque ela mostra que este uso impactou de forma mais positiva na “recuperação” da bateria do que simplesmente realizar um ciclo de calibração da bateria.

Como conclusão, observa-se que a “performance” da bateria é bastante sensível à forma como ela é ciclada: se é utilizada do começo ao fim ou se é usada aos poucos, incluindo pequenas cargas ao longo do seu uso. Isso depende muito das necessidades do usuário e de outras condições (que não foram consideradas aqui, como temperatura ambiente – que pode afetar muito a performance da bateria) que podem influenciar as condições normais de uso do equipamento como um topo. No meu caso ficou claro que o uso que faço é bastante frequente, mas que uma utilização mais ponderada (utilizando sempre que possível na tomada) é mais racional e preserva mais a bateria. Talvez este possa ser o seu caso também. É importante frisar também que esta análise não considerou o uso da bateria desde a contagem zero dos ciclos de carga/descarga e que não possui nenhum cunho científico. Portanto, os resultados aqui considerados, não permitem uma extrapolação para outros casos.