Livro: Viajando com o cérebro de Einstein

De todos os livros que já li este é, de longe, o mais bizarro. Mas é bem escrito e por alguém bem informada e em sã consciência. “Viajando com o cérebro de Einstein” conta a infame história do cérebro morto de um dos maiores gênios de nossa história. O cérebro de Einstein fora retirado de sua caixa craniana pelo patologista americano Thomas Harvey, tendo sido fatiado e “distribuído” para diversos cientistas, espalhados pelos Estados Unidos.

Quando Einstein morreu em 1955, em seu testamento constava que seu corpo deveria ser cremado e que nenhuma parte de seu corpo deveria ser tomada como relíquia. Este posicionamento de Einstein, vinha da descrença na forma como as pessoas veneram outras pessoas famosas, sobre a forma como as pessoas conseguem idolatrar um ser comum. Todos sabemos que Einstein não foi uma pessoa ordinária, ele foi extraordinário, mas acima de tudo, uma pessoa comum com idéias suficientemente brilhantes para mudar os rumos da ciência.

Thomas Harvey, o médico escolhido por Otto Nathan (um dos executores do expólio de Einstein) permitiu que Harvey mantivesse conservado o cérebro de Einstein para estudo, sendo que qualquer resultado extraído destes estudos deveriam ser única e exclusivamente publicados revistas científicas, excetuando-se quaisquer possibilidades de exploração comercial ou meramente curiosa.

Nos cinco primeiros anos de pesquisa, o cérebro de Einstein foi examinado por diversos cientistas. Lâminas foram enviadas a cientistas espalhados por todo o país ao longo das décadas seguintes e assim iniciava-se a bizarra jornada itinerante do cérebro de Eisntein. Cada vez que Thomas Harvey se mudava (foram muitas vezes e para lugares distantes), o cérebro de Einstein conservado num pote de vidro ia junto. No fim das contas, p cérebro de Einstein acabou residindo em cima de uma geladeira, como um pinguim ornamental. Mas a história não acaba por aí…

Acho que a maior sacanagem dessa história toda, foi como “profanaram” o cérebro de uma pessoa, por acaso um dos maiores gênios da ciência, sem o qual certamente eu não estaria escrevendo este texto. Como pôde-se chegar a esta situação e expor os restos materiais de uma pessoa dessa forma, como se fosse um prêmio, ou um objeto de decoração. Sei o próprio avanço da medicina remete ao estudo de corpos de e órgãos de pessoas mortas, mas o cérebro… é bizarro.

Procurando um pouco na internet, encontrei um site que mostra um documentário feito sobre a saga de um japonês em busca de uma relíquia, um naco do cérebro de Einstein. Esta história está reatratada no livro, mas fica bem clara no vídeo… assistam:

No mais, nos resta dizer,

RIP, Eisntein.

O Maior Vendedor do Mundo

Quando eu tinha meus 16~18 anos, em uma das aulas de ensino religioso na escola, nos foi pedido a leitura de um livro para fazermos uma discussão sobre um tema que (provavelmente) ia desde humanismo até ética profissional. Uns assuntos vastos, polêmicos e interessantes também. Podíamos escolher o um livro que quissésemos desde que estivesse dentro da biblioteca da escola. Fuçando aqui e alí, acabei encontrando “O Maior Vendedor do Mundo”, de Og Mandino.

Como isso já faz pelo menos 10 anos, ainda hoje consigo me lembrar desse livro. Na realidade, acho que este foi o primeiro livro que exerceu um impacto considerável sobre a minha pessoa. Primeiro porque eu não sabia exatamente o que esperar daquele pequeno livro de capa branca com adornos dourados. Segundo, porque eu realmente era preguiçoso para ler. Além disso, o autor era Og Mandino, alguém absolutamente desconhecido para mim. Naquele época, a internet não era como hoje e na escola, era “chato” de se usar. Os computadores eram lentos e as pessoas do laboratório de informática não entendiam bem como aquilo tudo deveria funcionar… Enfim, como eu não tinha muitas opções a não ser ler o livro, mergulhei de cabeça na tarefa, e como nunca antes na história de minha vida, me vi completamente envolvido com aquela leitura.

Basicamente, o livro falava sobre vendas e o próprio título do livro não me empolgou muito. Por que eu leria um livro sobre vendas em plena adolescência, época em que tudo o que eu queria que entrasse na minha cabeça era música? Certamente o assunto do livro, para mim, era bastante diferente de tudo o que eu já havia lido antes, mas lendo, começou a me parecer bastante interessante. Ele trazia algumas “lições” sobre o que significa ser um vendedor, o que siginifica valorizar o que você tem, o que significa ser e estar envolvido com os seus objetivos, sobre alcançar a felicidade. Bastante pertinente não? Com o tempo fui percebendo que o livro trazia muito mais do que lições. Havia um enredo bastante evidente, uma história que culminaria em exemplos fantásticos de vida. O fato é que rapidamente li aquele livro e acho que aprendi algumas coisas interessantes e bastante importantes com ele. Uma das coisas que mais me marcaram, entre outras, foi a idéia de tempo e de como você o emprega. No livro, havia algo como

Você não pode ser o escravo do seu tempo, você deve ser o senhor do seu tempo.

Para um jovem adolescente ordinário (no sentido de ser comum) como eu, isso pode não ter tanta importância assim, pois é na vida adulta que o tempo começa a passar incrivelmente rápido enquanto nosso cérebro fica fisicamente babando na gravata… O tempo começa a ter uma importância realmente perigosa e torna-se uma necessidade começar a se preocupar com ele, com a forma com que o administramos. E isso realmente foi bastante crucial para mim. Acho que aprendi, de certa forma, a escolher o que posso fazer no tempo que tenho disponível e, frequentemente, sinto-me bastante livre para tomar minhas decisões e fazer minhas escolhas sem me atrapalhar muito.

Pois bem, certamente há várias coisas que influenciaram a minha postura depois que li e pensei sobre o conteúdo deste livro, e mesmo que eu não tenha percebido, eu sei que isto aconteceu. Não quero dizer que este livro mudou a minha vida, mas quero dizer que ele contribuiu um pouco com a minha forma de pensar, principalmente porque eu tive vontade de lê-lo em um período de amadurecimento em que as coisas mudam muito rápido na vida da gente.

Pra finalizar, eu realmente nunca soube quem foi Og Mandino e, como hoje em dia é trivial conhecer um pouco sobre alguém, fui na Wikipedia e lá estava ele, Og Mandino, um italiano radicado nos Estados Unidos (já falecido em 1996) e que entre tantas outras coisas coisas, teve muita coragem para largar uma vida de muitas obrigações com o trabalho para fazer o que gostava e o que tinha vontade de fazer e assim alcançar a plena felicidade. Muito provavelmente, este é um outro ensinamento que me fez enxergar a vida da forma como a enxergo hoje.

  • Site oficial dedicado à obra de Og Mandino: http://ogmandino.com
  • O Maior Vendedor do Mundo: tem no Google e provavelmente numa livraria perto de você.

Livro: A Cabana

No fim do ano passado tive a oportunidade de ler o livro A Cabana. A Cabana é um livro classificado como “Ficção” e conta a história de um homem e sua experiência com Deus. Há vários livros deste gênero que retratam histórias e experiências com Deus, mas por quê tratá-las como ficção? A menos que você acredite em nada (O_o), é impossível tratar uma história dessas como ficção, mesmo ela não sendo baseada em uma história real.

A história de A Cabana é narrada por William P. Young. William é amigo de um homem chamado Mack Allen Phillips o qual contou a história a William. Não vou contar a história do livro aqui. Vou dizer que vale muito a pena ler e refletir sobre as idéias que são apresentadas no decorrer da história. Sinceramente, nunca li algo tão revelador sobre Deus e sua relação conosco, algo que realmente pode nos motivar a acreditar que tudo o que ocorre em nossas vidas tem uma razão muito maior do que a nossa mera filosofia pode nos fazer crer.

Recomendo esta leitura, mas leia de forma descompromissada, leia com a vontade de refletir, com a vontade de querer encontrar um alento para as suas aflições. Acho que este livro pode ajudar a começar a ver a vida de uma forma diferente, mais otimista e simples.

Livro: Lobão 50 anos a mil

Recentemente li a autobiografia do Lobão. Li em apenas 3 dias, como se fosse algo que insanamente quisesse ler. Foi incrível, porque a curiosidade me empurrava em direção às histórias insólitas do Lobão, cada coisa absurda e improvável… Sem dúvida nenhuma, cheia de amor e de dor. Seria muito fácil dizer que o Lobão foi mais um louco músico que queria ser ouvido e julgado pelo que fazia, mas ele representou em sua época muito mais do que podia-se perceber. Lobão é uma artista com alma de poeta e engendrou no seu destino a música perfeita para o seu gênio de profeta (!). Impressionante como sua tragetória se fez, como os caminhos que tomou foram trilhados… Até a última página de sua autobiografia, fiquei abismado com suas histórias. A história de um menino que cresceu e se reinventou tantas vezes e se tornou o Lobão. Na verdade, Lobão é o artista que se reinventa.

Não posso dizer que sempre fui fã de Lobão, na verdade nunca fui e acho que continuo a não ser. Acho que um fã é muito mais fiel ao talento do seu artista (coisa que definitivamente não sou), mas sempre achei as músicas que conhecia dele muito interessantes. Corações Psicodélicos, A Queda, A Vida é Doce, Presidente Mauricinho, Vou Levar, Rádio Blá, Chorando no Campos e outras são músicas bastante interessantes, porque retratam suas épocas, retratam o espírito de Lobão. É claro que tratam do artista, do sentimento e da arte que está ao seu redor. E não poderia ser diferente.

Na autobiografia, Lobão se expõe por completo. Faz revelações, faz confissões (pelo menos são assim para aqueles que não o conhecem), se coloca em uma bandeja para o leitor. Não precisa querer ser fã para ler o texto, não precisa sequer gostar de Lobão (de sua música e/ou personalidade) para querer ler o texto. Basta querer entender o que é a música do nosso país, porque Lobão é bastante esclarecedor em suas explicações e nos proporciona um panorama da música brasileira desde os anos 60 até a nossa atualidade.

Com a leitura de sua autobriografia, descobri novas histórias, entendi outras e liguei outras tantas. Lobão conta o processo de criação de todos os seus discos, como foram concebidas as suas músicas. Confesso que cheguei a arrepiar quando ele ia descrevendo uma música e ao final dizia, “assim nasceu Me chama”, ou “assim nasceu A Vida é Doce”. São cenas de sua vida, situações vividas, realmente, por alguém que curtiu na pele a própria vida, se fez, refez e (re)conquistou.

Sempre gostei das idéias críticas do Lobão. Quando o vi nas duas seções do Café Filosífico (pela internet), assisti aos vídeos um sem número de vezes, não porque ele contava suas histórias, mas porque ele realmente é um filósofo, e de mão cheia! É um cara muito culto, raríssimo nos dias de hoje. Um músico em extinção, que acredita no que lê, nas obras dos grandes filósofos, poetas e escritores. Outros que sei que foram como ele são Renato Russo e Cazuza. Outro que acredito que foi assim também, dada a afinidade entre ele e Lobão, foi o Júlio Barroso. Pouco conheço sobre Júlio Barroso, mas acredito que estas pessoas estão acabando no meio artśitico. Nossa sociedade está muito mudada, muito alienada e certamente essa cultura compete com outros tipos de cultura, que a destróem e a reconstróem de uma forma anacrônica, sem identidade.

Certamente, a história de Lobão não é apenas uma história, é algo bem real e bastante comum também, mas a diferença está em sua gana, em seu instinto pouco provável de ser, em sua própria reinvenção.